O Millennium BCP anunciou que vai pagar aos acionistas dividendos na ordem dos 450 milhões de euros e empreender um programa de recompra das suas ações para o qual destinará mais 200 milhões.
Estes anúncios surgem na sequência da comunicação de que o maior banco privado português obteve o ano passado um lucro recorde de 906,4 milhões de euros. Isto representa uma subida de 5,9% face a 2023.
A entidade bancária justifica os resultados com o crescimento de clientes e a reversão de imparidades de anos anteriores. Num ano, a percentagem de clientes aumentou 4%. No setor dos clientes mobile a subida foi mais significativa: 10%.
O banco salienta ainda que “as comissões tiveram uma evolução positiva”, que os depósitos cresceram 7,8% em termos homólogos, fixando-se nos 84 mil milhões de euros, e o crédito aumentou 0,9%, alcançando os 55 mil milhões.
Pelo contrário, as imparidades de crédito desceram 24%, fixando-se em 182,5 milhões de euros e outros tipos de imparidades e provisões diminuíram 21% para 675 milhões.
Assinala-se ainda um aumento de 12% dos custos operacionais, 9% dos quais em Portugal, onde houve um aumento de 10% nos custos de pessoal.
Lucros da Endesa aumentaram 154%
Outra empresa a anunciar lucros recorde esta quinta-feira foi a Endesa com um aumento de 154% num ano, somando 1.888 milhões de euros. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, também registou um forte aumento de 40%, ficando nos 5.293 milhões de euros.
A empresa energética espanhola, propriedade em 70% da italiana Enel e que também opera em Portugal, justifica o crescimento dos lucros com a “normalização dos mercados energéticos da luz e do gás”, tendo subido os resultados devido ao contributo de “todos os segmentos de negócio (geração convencional, geração renovável, distribuição e comercialização)”.
Recorde-se que, em 2023, os lucros da Endesa tinham caído 71% porque uma decisão arbitral a obrigou a pagar 530 milhões de euros a um produtor de gás natural liquefeito.