As empresas cotadas na Bolsa nacional bateram novamente recordes com os lucros registados nos primeiros seis meses de 2024. É o terceiro ano consecutivo de lucros recorde para as grandes empresas nacionais. Ao mesmo tempo, as cinco maiores instituições bancárias alcançaram um resultado líquido que é 31% acima do valor do mesmo período do ano anterior.
A EDP Renováveis e a Altri duplicaram os seus lucros, enquanto a EDP e a Galp lideram como as empresas que mais lucram em Portugal. A Bolsa nacional acumula ganhos de 8%. Isto segundo os dados já divulgados, apesar de haver empresas cotadas, como a Ibersol ou a Mota-Engil, que ainda não apresentaram resultados.
Em relação ao mesmo período do ano passado, as empresas atingiram uma subida de 27,5% com um resultado líquido conjunto de €3015 milhões. As 13 empresas cotadas na Bolsa de Lisboa lucraram quase €17 milhões por dia entre janeiro e junho.
Entre as empresas que aumentam os seus lucros estão a Navigator, a NOS, a Semapa e a Sonae. Entre as cinco empresas com mais lucros absolutos, três delas estão concentradas na indústria energética: a EDP, a Galp e a EDP Renováveis.
Lucros da banca este ano superaram todo o ano de 2022
Os bancos portugueses, por seu lado, também continuam a bater recordes. Os cinco maiores bancos em Portugal – a Caixa Geral de Depósitos, o BCP, o Santander, o Novo Banco e o BPI – lucraram tanto em conjunto nos primeiros seis meses de 2024 como na totalidade do ano de 2022, apresentando €2,6 mil milhões em lucro.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) liderou a arrecadação de lucros com um aumento de 46% face ao período homólogo em 2023, seguida do Santander e do BCP. Estes três bancos apresentam valores inéditos para um primeiro semestre, somando sozinhos €1,9 mil milhões.
Para o aumento exponencial destes lucros, ajudou a subida dos juros protagonizada pelo Banco Central Europeu, liderado por Christine Lagarde. Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, alertou na apresentação de contas da CGD que para os lucros continuarem a aumentar é preciso que não haja “atuação extraordinária”, referindo-se ao corte dos juros.
O aumento das taxas de juro tem sido criticado pelo Bloco de Esquerda por dificultar o acesso à habitação e aumentar o custo de vida em Portugal, dificultando a vida a quem trabalha e pondo em prática uma transferência de riqueza das famílias para os bancos.
É de lembrar que estes resultados são conhecidos na semana que o Tribunal de Justiça da União Europeia admitiu que as trocas de informação entre os grandes grupos bancários em Portugal podem configurar uma infração à luz da concorrência, no sentido de um cartel da banca. A sentença será conhecida a 20 de setembro.