Lucros da EDP disparam 83% até setembro

03 de novembro 2023 - 11:09

Nos primeiros três trimestres de 2023, a EDP arrecadou 946 milhões de euros de lucros. Resultado deve-se em boa parte à retoma da produção hídrica em Portugal.

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Foto Web Summit/Flickr

Num ano em que a população suporta as consequências do aumento do custo de vida, a expressão "lucros caídos do céu" pode ser aplicada de forma literal às contas apresentadas esta semana pela EDP. Se 2022 foi marcado pela seca meteorológica, as chuvas deste ano permitiram à EDP aumentar em 61% a produção hídrica em Portugal e com isso contribuir para a subida de 83% dos lucros da empresa face ao ano passado.

Além do lucro obtido na exploração das barragens pelas quais o fisco ainda não cobra o devido IMI, a EDP justifica a melhoria dos resultados financeiros com mais-valias obtidas com a venda de ativos em Espanha e na Polónia e também pelos resultados no Brasil "no seguimento do sucesso da OPA sobre a EDP Brasil".  

Se o aumento da produção hídrica da EDP fez o resultado neste sector antes de juros, impostos, depreciações e amortizações disparar 424% em relação a 2022, esse resultado nos sectores eólico e solar caiu 4%, por causa da queda dos preços da eletricidade nos mercados grossistas.

Apesar da dimensão dos lucros obtidos pela empresa vendida pelo governo PSD/CDS a um grupo detido pelo Estado chinês, este ano tem sido marcado pelas greves e protestos dos trabalhadores das lojas e centros de contacto da empresa. Apesar de serem "a cara e a voz da EDP" junto dos clientes, são na verdade subcontratados por outras empresas, pelo que exigem salários e condições de trabalho iguais aos que desempenham funções semelhantes e têm vínculo à EDP.

Na apresentação de resultados, a empresa diz ter investido 3,6 mil milhões em projetos de energias renováveis, tendo atualmente em construção uma capacidade renovável de 5,2 GW em 19 mercados. As renováveis representam uma fatia de 85% da produção total da empresa, que promete aumentá-la para 100% em 2030 e abandonar a produção a carvão até 2025, após o encerramento da central de Sines e a venda da central brasileira de Pecém, pretendendo converter para gás natural uma das centrais a carvão em Espanha e pedir ao governo de Madrid o encerramento das três restantes.

Entre janeiro e setembro, a EDP refere ter pago 472 milhões em impostos - mais 69% que nos primeiros nove meses de 2022 -, dos quais 49 milhões graças à Contribuição Extraordinária sobre o Sector Energético.