Solidariedade com a Palestina

Lisboa voltou a sair à rua pelo reconhecimento da Palestina

17 de junho 2025 - 20:35

Várias centenas de pessoas marcaram presença para exigir também um cessar-fogo imediato e permanente. Mariana Mortágua sublinhou que “não há nenhuma razão para que o governo” não reconheça o Estado da Palestina.

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Manifestação pela Palestina. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
Manifestação pela Palestina. Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.

Uma manifestação pelo fim ao genocídio e pelo reconhecimento imediato do Estado da Palestina junta esta tarde em Lisboa centenas de pessoas.

Pelas 18 horas, no Largo do Chiado, muita gente se começou a concentrar, respondendo ao apelo do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente que teve o apoio do Conselho Português para a Paz e Cooperação, do Projecto Ruído e da CGTP.

Entre as exigências dos manifestantes estavam ainda um cessar-fogo imediato e permanente, o fim dos bombardeamentos e dos crimes israelitas, o fim do cerco à Faixa de Gaza, o respeito pelo direito internacional e o cumprimento das resoluções da ONU.

Num comunicado sobre esta convocatória, a CGTP critica Israel por prosseguir “o massacre de milhares de homens, mulheres, crianças através de bombardeamentos, de disparos de doença e de fome”, negar e instrumentalizar a ajuda humanitária para empurrar e encurralar milhares de pessoas, deslocando-as forçadamente de forma a prosseguir uma limpeza étnica”.

A central sindical sublinha igualmente que “o mundo assiste à cumplicidade dos EUA, da NATO, da UE com os crimes de Israel, apoiando política, económica e militarmente a destruição do povo palestiniano”.

Mariana Mortágua também esteve na manifestação e insistiu que “não há nenhuma razão para que o governo” não reconheça o Estado da Palestina, lembrando que já muitos governos o passaram a fazer.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, “perante o genocídio, perante as excessivas violações do direito internacional, perante os alertas da ONU, perante todas as evidências do massacre de Israel contra o povo palestiniano, invasão no seu território, uma política de extremismo étnico, racismo, imperialismo”, este reconhecimento é “o gesto simbólico mais importante a fazer neste momento para travar Israel”. A este, considera, devem juntar-se a imposição de sanções, o fim do acordo de cooperação entre a União Europeia e Israel e das exportações de armas para Israel.

Sobre os ataques de Israel ao Irão, a dirigente bloquista questiona a expansão da “atividade de terror e de violência para outros países do Médio Oriente”, o que leva “a consequências que podem ser trágicas”.

Para além disso, sublinha a “hipocrisia” dos governantes que “enchem a boca para falar sobre direitos humanos, sobre crianças, sobre a vida” mas “não levam o que estão a dizer a sério” porque “na Palestina não há direitos humanos, crianças são mortas todos os dias, não há direito internacional, não há ninguém que salve a vida de milhares e milhares e milhares de pessoas que estão a ser mortas à fome, por incapacidade de aceder a cuidados de saúde ou demais coisas”.

Mariana Mortágua contrapõe a esta hipocrisia o poder do povo que “pode fazer toda a diferença” já que é “a maior potência internacional” pelo que “pode forçar o reconhecimento da Palestina e pode forçar Israel a recuar”. E destacou a importância das mobilizações como a desta terça-feira “para dizermos às gerações futuras que estivemos do lado certo da história”.