Uma manifestação pelo fim ao genocídio e pelo reconhecimento imediato do Estado da Palestina junta esta tarde em Lisboa centenas de pessoas.
Pelas 18 horas, no Largo do Chiado, muita gente se começou a concentrar, respondendo ao apelo do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente que teve o apoio do Conselho Português para a Paz e Cooperação, do Projecto Ruído e da CGTP.
Entre as exigências dos manifestantes estavam ainda um cessar-fogo imediato e permanente, o fim dos bombardeamentos e dos crimes israelitas, o fim do cerco à Faixa de Gaza, o respeito pelo direito internacional e o cumprimento das resoluções da ONU.
Num comunicado sobre esta convocatória, a CGTP critica Israel por prosseguir “o massacre de milhares de homens, mulheres, crianças através de bombardeamentos, de disparos de doença e de fome”, negar e instrumentalizar a ajuda humanitária para empurrar e encurralar milhares de pessoas, deslocando-as forçadamente de forma a prosseguir uma limpeza étnica”.
A central sindical sublinha igualmente que “o mundo assiste à cumplicidade dos EUA, da NATO, da UE com os crimes de Israel, apoiando política, económica e militarmente a destruição do povo palestiniano”.
Mariana Mortágua também esteve na manifestação e insistiu que “não há nenhuma razão para que o governo” não reconheça o Estado da Palestina, lembrando que já muitos governos o passaram a fazer.
Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, “perante o genocídio, perante as excessivas violações do direito internacional, perante os alertas da ONU, perante todas as evidências do massacre de Israel contra o povo palestiniano, invasão no seu território, uma política de extremismo étnico, racismo, imperialismo”, este reconhecimento é “o gesto simbólico mais importante a fazer neste momento para travar Israel”. A este, considera, devem juntar-se a imposição de sanções, o fim do acordo de cooperação entre a União Europeia e Israel e das exportações de armas para Israel.
Sobre os ataques de Israel ao Irão, a dirigente bloquista questiona a expansão da “atividade de terror e de violência para outros países do Médio Oriente”, o que leva “a consequências que podem ser trágicas”.
Para além disso, sublinha a “hipocrisia” dos governantes que “enchem a boca para falar sobre direitos humanos, sobre crianças, sobre a vida” mas “não levam o que estão a dizer a sério” porque “na Palestina não há direitos humanos, crianças são mortas todos os dias, não há direito internacional, não há ninguém que salve a vida de milhares e milhares e milhares de pessoas que estão a ser mortas à fome, por incapacidade de aceder a cuidados de saúde ou demais coisas”.
Mariana Mortágua contrapõe a esta hipocrisia o poder do povo que “pode fazer toda a diferença” já que é “a maior potência internacional” pelo que “pode forçar o reconhecimento da Palestina e pode forçar Israel a recuar”. E destacou a importância das mobilizações como a desta terça-feira “para dizermos às gerações futuras que estivemos do lado certo da história”.