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Linha telefónica para denúncias de abusos sexuais na igreja “quase sempre preenchida”

Segunda-feira foi o primeiro dia de canais abertos para denúncias de abusos sexuais na igreja católica portuguesa. Ao final da tarde já tinham sido validados “cerca de 50 testemunhos”. Os casos poderão ser relatados por email, carta, presencialmente, formulário na internet ou contacto telefónico.
Foto de Therese C, Wikimedia.

Em resposta à agência Lusa, o coordenador da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa, o pedopsiquiatra Pedro Strecht, afirmou que “a linha telefónica esteve quase sempre preenchida” no primeiro dia aberto à recolha de denúncias e testemunhos.

“Por inquérito online ou preenchido em telefonema foram já validados cerca de 50 testemunhos”, explicitou Pedro Strecht. O responsável congratulou-se com o facto de a mensagem inicial da comissão que coordena “ter sido bem acolhida por pessoas que foram vítimas deste tipo de abusos”.

A Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa começou esta segunda-feira a receber denúncias de vítimas. Os casos ocorridos desde 1950 podem ser remetidos às autoridades e investigados se os crimes ainda não tiverem prescrito.

As denúncias podem ser feitas pelas vítimas ou por terceiros que tenham conhecimento dos acontecimentos. A comissão pretende recolher testemunhos e denúncias de pessoas que tenham sofrido abusos na infância e adolescência, até aos 18 anos. Pedro Strecht garantiu que o grupo de trabalho tem mecanismos instalados para triar falsos testemunhos que possam surgir.

As denúncias e testemunhos podem chegar à comissão através do preenchimento de um inquérito online no site https://darvozaosilencio.org; através do número (00351) 917110000, disponível entre as 10h e as 20h diariamente; por email – [email protected]; por carta, enviada para um apartado que vai estar disponível no site da comissão; ou presencialmente, mediante marcação prévia de entrevista.

A par do seu coordenador, a Comissão integra o psiquiatra Daniel Sampaio, o antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio, a socióloga e investigadora Ana Nunes de Almeida, a assistente social e terapeuta familiar Filipa Tavares e a cineasta Catarina Vasconcelos.

O trabalho desta comissão independente vai decorrer até ao final de 2022, altura em que será emitido um relatório com as respetivas conclusões. O documento será entregue à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que financia o projeto e que, de acordo com a Lusa, “decidirá que ações tomar”.

Em dezembro passado, o presidente da CEP, o bispo José Ornelas, realçou a importância de se trilhar “um caminho de verdade, sem preconceitos nem encobrimentos” para a Igreja Católica portuguesa.

No mês anterior, mais de duas centenas de católicos tinham enviado uma carta à Conferência Episcopal Portuguesa defendendo “uma investigação nacional rigorosa, abrangente e verdadeiramente independente”. Alice Vieira, José Manuel Pureza e Jorge Wemans estão entre os subscritores.

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