Linha de Sintra: CP não cumpre contrato de serviço público com o Estado

22 de fevereiro 2024 - 12:38

Frequência de viagens na Linha de Sintra diminuiu bastante nos últimos anos, apesar da procura cada vez maior, levando a composições cada vez mais sobrelotadas e com atrasos.

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linha de comboio CP
Foto Esquerda.net

Nos últimos 25 anos, perdeu-se mais de um terço das viagens diárias, apesar de haver quatro vias disponíveis para os suburbanos de Sintra, onde circulam diariamente 269 comboios. Nos anos 1990 havia 398 comboios por dia útil na Linha de Sintra.

Em três anos, a CP recuperou oito automotoras para a linha de Sintra, “que foram encostadas a partir de 2012 e que chegaram a ser canibalizadas para servirem como fornecedoras de peças para outros comboios.”, segundo noticia a SAPO24.

Contudo, esses comboios estão parados. “Há falta de pessoal, de revisores e maquinistas, para aumentar a oferta. Mais valia as automotoras manterem-se encostadas e poupar na manutenção”, contesta ao SAPO24 o especialista em transporte ferroviário João Cunha. “A CP, como está, não é viável e não consegue responder às necessidades. Tal como se fez com a TAP com 100% do capital do Estado, a empresa tem de passar a ser uma sociedade anónima”, com autonomia para contratar e poder oferecer salários mais atrativos, perante a concorrência privada, acrescenta.

Apesar do aumento da procura pelo transporte ferroviário, a CP não tem aumentado a sua oferta, que está 40% abaixo do que ficou acordado no contrato de serviço público, assinado com o Estado em novembro de 2019, pelo ministro das Infraestruturas e da Habitação Pedro Nuno Santos, pelo ministro de Estado e das Finanças Mário Centeno e pelo presidente da CP Nuno Freitas.

Isso acontece porque em 2019 houve vários cancelamentos de comboios por falta de material circulante disponível. Numa solução anunciada como temporária durante as férias escolares desse ano, as frequências entre Lisboa-Rossio e Mira Sintra-Meleças foram reduzidas. Mas quatro anos depois do acordo assinado, a oferta de comboios nesta linha continua exatamente a mesma, sendo notória a menor frequência nas horas de ponta da manhã e da tarde, quando mais pessoas se deslocam para ir trabalhar ou estudar, entre a estação do Rossio e Sintra.