Ligação antiga a narcotraficante complica planos de Feijóo

21 de julho 2023 - 13:53

Fotos do atual líder do PP no iate do narcotraficante a quem concedeu contratos públicos na Galiza estão a assombrar a reta final de campanha.

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Marcial Dorado e Alberto Feijóo em 1995 num iate do narcotraficante.
Marcial Dorado e Alberto Feijóo em 1995 num iate do narcotraficante. Foto publicada em 2013 no El Pais.

O líder do PP e até há poucos dias favorito a ganhar as eleições de domingo em Espanha foi o grande ausente do único debate televisivo com os líderes dos quatro maiores partidos. Alberto Feijóo já tinha avisado que não iria ao debate de quarta-feira e a meio do dia anunciou mesmo a suspensão da campanha, alegadamente por ter tido uma dor nas costas à saída de um estúdio onde fora entrevistado.

Mas nem a suspensão da campanha evitou que continuasse a ser notícia. Às várias mentiras que disse em direto nas duas últimas aparições televisivas - o frente a frente com Pedro Sánchez e a entrevista à TVE - Feijóo acrescentou agora novas mentiras para tentar esvaziar o assunto do momento na campanha: a amizade do líder do PP com Marcial Dorado, um dos principais narcotraficantes galegos. Regressado à campanha na quinta-feira, Feijóo pediu aos militantes do PP que o expulsem se for apanhado a mentir.

A fotografia que mostra Feijóo e Dorado de tronco nu e calções de banho no iate do narcotraficante é de 1995, quando o atual líder do PP era secretário geral da área da saúde do governo galego. O traficante era proprietário de várias bombas de gasolina, que lhe permitiam branquear o dinheiro do tráfico e abastecer de combustível os barcos e camiões que transportavam a droga. E enquanto Feijóo ocupou o segundo cargo mais importante da saúde galega, o traficante ganhou contratos milionários para abastecer também as ambulâncias e o aquecimento dos hospitais geridos pelo executivo da Galiza.

Com esta amizade agora sob os holofotes da campanha, Feijóo assegurou em entrevista que não sabia das atividades de Dorado. "Naquela altura não tinha nenhuma acusação por isso, agora é mais fácil saber coisas porque há internet, há o Google, nessa altura não havia, volto a reiterar que quando o conheci estes senhor não tinha nenhum processo relacionado com o tráfico", afirmou o líder do PP no programa Al Rojo Vivo do canal La Sexta, acrescentando não ir faltar ao debate com os restantes líderes por temer ser confrontado com o assunto.

Mas as explicações de Feijóo não convenceram ninguém, com a internet a não perder muito tempo a recuperar as dezenas de capas de jornais nacionais e galegos e as notícias nos telejornais no ano da foto de Feijóo e Dorado no iate do traficante, a referirem a sua implicação em casos de contrabando e narcotráfico. Já em 2013, quando o escândalo rebentou com a publicação das fotos no El Pais, Feijóo optou por negar ter qualquer amizade com Dorado, que então estava a acabar de cumprir uma pena de dez anos de prisão, dizendo que não tinha tido nenhum contacto com ele desde 1997. Mas o juiz que mandou Dorado para a prisão afirmou numa entrevista ter ouvido escutas telefónicas de conversas entre ambos após esse ano.

O próprio traficante admitiu em entrevista continuar a relacionar-se com Feijóo pelo menos até este assumir a presidência dos Correios galegos no ano 2000. No entanto, esta ligação parece não ter incomodado o eleitorado galego que deu a Alberto Feijóo três maiorias absolutas à frente do Governo. Resta saber se agora que é líder da direita espanhola, beneficiará da mesma indiferença do resto do eleitorado do Estado espanhol.

Para o atual deputado único e candidato do Bloco Nacionalista Galego, Nestor Rego, a imagem que Feijóo projeta nacionalmente não corresponde ao que fez na sua terra. "Diziam que é um moderado e um bom gestor, quando não é nem uma coisa nem outra. É uma pessoa sem escrúpulos que não tem problemas em mentir. Quanto a ser bom gestor, depois de treze anos na Galiza deixou uma crise industrial enraizada, mais de 370 mil pessoas tiveram de emigrar, nem uma só habitação pública construída em 14 anos, trabalhou para privatizar a saúde pública, deixou o triplo da dívida que havia quando chegou", refere Rego acerca do legado de Feijóo à frente do governo galego.