O semanário Expresso noticiou esta segunda-feira que o líder parlamentar do Chega foi visto a agredir um árbitro de futebol de 18 anos e a tentar agredir outro árbitro com a mesma idade. Tudo se terá passado num torneio de futebol infantil dos escalões sub-11 e sub-13 e Pedro Pinto integrava a equipa técnica do Futebol Clube do Crato, o clube anfitrião do torneio realizado entre 16 e 18 de junho no distrito de Portalegre.
Segundo o Expresso, no segundo dia do torneio o clube do Crato defrontou o Futebol Clube do Porto e viu o seu treinador ser expulso. No final do jogo, Pedro Pinto foi visto a insultar os dois jovens árbitros de 18 anos a partir da bancada e a acertar com o chapéu na cara de um deles, com os pais e adeptos presentes a procurarem apaziguar a situação. A razão dos protestos foi a desclassificação da equipa onde joga o seu filho por mau comportamento. Embora a GNR tivesse sido chamada, os jovens árbitros não quiseram apresentar queixa contra o deputado, tendo ainda seis meses para o fazer.
Mas o comportamento antidesportivo do deputado da extrema-direita não terá ficado por aqui. No dia seguinte, o Crato defrontava o Belenenses já sem hipóteses de seguir em frente na competição, enquanto as crianças do clube de Belém ainda sonhavam com o apuramento caso vencessem por uma diferença de 15 golos. A dez minutos do fim o Belenenses goleava por 8-0 e foi então que o Expresso viu Pedro Pinto orientar os jogadores da equipa do seu filho para se atirarem para o chão, simulando lesões para gastar tempo. O deputado terá ainda lançado por duas vezes bolas para dentro do relvado para impedir situações de ataque da equipa adversária.
“O meu filho disse-me: Pai, isto é uma autêntica vergonha”, contou ao Expresso Ricardo Basílio, o pai de um jovem atleta do Belenenses, acrescentando que “foi deprimente ver o que se passou. Invadiu-me um sentimento de tristeza e revolta pela situação que estávamos a viver. Há oito anos que ando com o meu filho no futebol e nunca tinha visto nada assim”.
Basílio conta que ainda ouviu no final do jogo Pedro Pinto a desejar boa sorte ao adversário em tom irónico. “Ele já sabia que com aquilo tudo retirava a possibilidade de os miúdos seguirem na competição. Não chegou a triste figura dentro de campo como ainda se orgulhou do que tinha feito no final”, lamenta.
O treinador dos sub-13 do Belenenses diz que prefere esquecer tudo aquilo a que assistiu por parte do deputado da extrema-direita. "Viveram-se momentos que são a antítese do desporto e em dez anos de trabalho nesta área nunca tinha sido obrigado a tirar atletas destas idades dentro de um campo de futebol”, disse João Afonso ao Expresso.
Quem também não ficou satisfeito com o comportamento do deputado foi o presidente da Câmara do Crato, que confrontou Pedro Pinto com as suas atitudes. "Disse-lhe que não devia ter aquelas atitudes, ainda para mais tendo a responsabilidade e a posição que tinha, o que originou uma resposta enervada por parte do Sr. Deputado. Mas sublinhei que ele não deve confundir um campo de futebol com o Parlamento”, afirmou Joaquim Diogo ao Expresso.
Deputado do Chega nega agressões, mas não desmente comportamento antidesportivo no torneio infantil
Pedro Pinto começou por recusar prestar declarações ao Expresso sobre os tristes acontecimentos que protagonizou junto de crianças desportistas. Mas acabou por emitir uma declaração a negar ter feito qualquer agressão, desmentindo as testemunhas que o confirmaram ao Expresso. “Sou obrigado a lamentar a forma vil como se está a tentar manchar o meu bom-nome, arrastando o meu partido para esta falsidade quando, no episódio em apreço, me encontrava a assistir a um jogo de futebol enquanto pai e não enquanto representante do Chega”, diz o deputado.
Na declaração a reagir à notícia, Pedro Pinto não nega o seu comportamento antidesportivo no jogo do dia seguinte com o Belenenses, com o qual foi confrontado pela equipa técnica do clube adversário durante o próprio jogo. Apenas confirma “que houve uma troca de palavras menos simpáticas entre mim e o senhor presidente da Câmara Municipal do Crato”, que desvaloriza.