Deputado do Chega viu salário penhorado por dívidas a colégio

23 de junho 2023 - 18:12

O salário de deputado de Filipe Melo foi penhorado em dezembro por causa de uma dívida ao colégio João Paulo II, ligado à arquidiocese de Braga. Debandada de vereadores do Chega prosseguiu esta semana a saída da sua última vereadora no Alentejo.

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Filipe Melo e André Ventura. Foto publicada na página Facebook do deputado.

O deputado do Chega Filipe Melo, eleito por Braga, viu em dezembro o salário pago pela Assembleia da República penhorado, ao ser executada a sentença que o condenou a pagar uma dívida de 15 mil euros à Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Social (ASDPESO), proprietária do Colégio João Paulo II, ligado à arquidiocese de Braga, revela esta semana a revista Visão.

Logo após as legislativas, foi notícia que o nome do sobrinho-neto do cónego Melo integrava a lista de pública de execuções por dívidas, tendo sido condenado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Braga a pagar mais de 80 mil euros em três processos distintos de execução.  

Desta vez Filipe Melo viu mesmo o salário penhorado e teve de chegar a acordo em janeiro para ressarcir a instituição através de prestações de 250 euros mensais durante cinco anos para assim suspender a execução da penhora.

No Congresso do Chega de maio de 2021, Melo defendeu a extinção dos tribunais administrativos e fiscais, onde conta com dezenas de processos por dívidas. A seguir às legislativas, várias concelhias do Chega de Braga pediram o afastamento do deputado, justificando-se com o facto de "o combate aos bandidos e corruptos" ser uma das bandeiras agitadas pelo partido.

Chega perdeu mais de um terço dos vereadores e o mandato ainda não vai a meio

Ana Moisão, vereadora do partido da extrema-direita em Serpa e antiga presidente da distrital do Chega de Beja, anunciou esta semana que saiu do partido e vai manter-se como vereadora independente. “Foi uma decisão muito refletida e ponderada, motivada por algumas divergências e discordâncias internas, que vão permanecer internas”, adiantou a autarca citada pela Visão, afirmando estar "muito triste, pois não era este o desfecho que desejava”.

A vereadora já tinha abandonado o cargo de líder da distrital, invocando a “falta de lealdade do presidente do partido”.

Com a saída da última representante do Chega nas autarquias do Alentejo, são já sete vereadores a abandonarem o partido, quando o seu mandato ainda não vai a meio. Ou seja, mais de um terço dos 19 vereadores eleitos em setembro de 2021: Nuno Afonso (Sintra), Cidália Figueira (Moura), Márcio Souza (Sesimbra), Henrique Freire (Seixal), Ivo Pedaço (Moita) e Luís Forinho (Entroncamento).

Segundo a Visão, a debandada de vereadores do Chega pode não ficar por aqui e aponta Fernando Silva, vereador em Vila Verde, como a mais forte probabilidade de ser o próximo a sair. Por enquanto, diz apenas que “compreendo muito bem as razões da saída da Ana e estou solidário com ela. Pelo que sei, estava a fazer um bom trabalho”.