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Lançada na Alemanha uma campanha contra as culturas superintensivas do Alentejo

A campanha contra as estufas de frutos vermelhos e abacates foi desencadeada por pessoas que costumam fazer turismo no Alentejo e no Algarve. Denunciam a degradação dos solos, a explosão de escravos modernos, a política dos governos portugueses e apelam ao boicote a estes produtos.
Trabalhador imigrante em estufa no sudoeste alentejano. Foto de Paulete Matos
Trabalhador imigrante em estufa no sudoeste alentejano. Foto de Paulete Matos

Segundo a SIC, está em marcha na Alemanha uma campanha contra as culturas superintensivas no Alentejo e no Algarve. Foi lançado um manifesto, ilustrado por Joana Mink, que circula nas redes sociais alemãs e está a ser distribuído no Centro do Livro de Língua Portuguesa de Frankfurt.

O manifesto aponta a existência de 40 mil trabalhadores imigrantes no Alentejo, que são explorados no trabalho nas plantações e vivem em condições desumanas, habitando em cubículos coletivos pelos quais pagam rendas caras - uns autênticos "escravos modernos da Ásia, de África e da Europa de leste". O documento sublinha o consumo da pouca água existente e a degradação dos solos.

As pessoas que lançaram a campanha acusam os sucessivos governos portugueses de apoiarem as culturas superintensivas e apelam aos consumidores alemães que boicotem os produtos com origem nas estufas das culturas superintensivas do Alentejo e do Algarve.

A SIC refere ainda que este movimento contra as culturas superintensivas do Alentejo coincide com um conjunto de notícias que têm circulado na comunicação social alemã. A Der Spiegel realçou que o negócio dos frutos vermelhos ascende a 247 milhões de euros por ano.

Friederike Heuer, que organiza viagens de grupo para turistas alemães, é orosto da campanha e conta ao Expresso que nas últimas férias viajou até à Zambujeira do Mar, mas declara-se chocada: “não foram férias!”. “Estava tudo plastificado até às falésias, os antigos caminhos foram encerrados, privatizados, e havia uma explosão de casos de covid na comunidade imigrante”. Segundo a ativista alemã, está em preparação uma ação de rua com o apoio dos sindicatos da Região Alemã de Essen.

 

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