Na sua coluna no The New York Times, o Prémio Nobel da Economia saúda o movimento Ocupar Wall Street, afirmando que “podemos, finalmente, estar a assistir ao surgimento de um movimento popular que, ao contrário do Tea Party, está irritado com as pessoas certas”.
Isto porque, diz o economista, “a acusação dos manifestantes de que Wall Street é uma força destrutiva, económica e politicamente, é totalmente correcta”.
Krugman recorda que a história das desgraças económicas dos EUA começou quando os banqueiros se aproveitaram da liberalização para criar enormes bolhas especulativas através de empréstimos temerários. O segundo acto ocorreu quando as bolhas estouraram, mas os contribuintes resgataram os banqueiros, em troca de muito poucos compromissos, e ao mesmo tempo que os trabalhadores comuns e correntes continuavam a pagar as consequências dos pecados dos banqueiros.
Finalmente, “os banqueiros mostraram a sua gratidão voltando-se contra as pessoas que os salvaram, e oferecendo o seu apoio – e a riqueza que continuaram a possuir, graças ao resgate – aos políticos que prometeram manter os impostos baixos e para eliminar os tímidos regulamentos criados no rescaldo da crise”.
Diante destes factos, “como é possível não aplaudir os manifestantes por finalmente tomarem partido?”
Homens bem-vestidos não têm qualquer monopólio sobre o saber
O economista reconhece, irónico, que alguns manifestantes se vestem de forma estranha ou têm lemas que parecem absurdos, mas lembra que “a experiência deixou penosamente claro que os homens bem-vestidos não só não têm qualquer monopólio sobre o saber, como também têm muito pouco saber a oferecer”, recordando todos os “homens sérios” que afirmaram que não havia bolha alguma na habitação e que apontavam Alan Greenspan como um oráculo.
Em conclusão, Krugman sugere que um dos temas centrais das manifestantes seja o apoio às dívidas dos norte-americanos que trabalham, já que essa ajuda pode ajudar à recuperação económica. Outra proposta de Krugman é que os manifestantes exijam investimentos em infra-estruturas, e não redução de impostos, para ajudar a criar empregos.
Finalmente, o economista afirma que, para os democratas, o movimento oferece uma segunda oportunidade. “A administração Obama já antes desperdiçou uma grande quantidade de possível boa vontade, ao adoptar políticas favoráveis aos banqueiros, o que não conseguiu pôr em marcha uma recuperação económica; e estes responderam pondo-se contra o presidente. Agora, no entanto, o partido de Obama tem uma oportunidade de começar do zero. Tudo o que tem a fazer é levar estes protestos tão a sério como eles merecem.”