Um tribunal administrativo de Colónia declarou que o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) contém "suficientes indicadores de objetivos anticonstitucionais", negando assim o recurso do partido que pretendia evitar ficar sob vigilância dos serviços de informações.
Na prática, a decisão do tribunal permite que o Gabinete Federal para a Proteção da Constituição (BfV) inclua a AfD na lista de organizações suspeitas de extremismo de direita, ficando sujeita a escutas telefónicas ou à ação de agentes infiltrados da polícia alemã. O partido argumentava que tinha afastado a sua ala mais radical, liderada por Bjoern Hoecke, mas os juízes não se convenceram e apontam que elementos preponderantes dessa fação continuam a ter uma influência considerável na ação da AfD. Em particular na organização de juventude, que tal como a referida fação continua a defender que "o povo alemão deve ser mantido etnicamente intacto e os forasteiros devem ser excluídos tanto quanto possível", o que contraria a Constituição do país.
Depois de ter surgido com um discurso contra o euro e depois contra a imigração durante a crise dos refugiados de 2015 e 2016, a AfD conseguiu eleger para o parlamento alemão em 2017. Nas eleições do ano passado obteve cerca de 10%, uma queda face aos 13% que tinha alcançado. O tema da imigração deixou de render votos e o partido reorientou-se para a oposição às medidas de contenção da pandemia, mas tem sido debilitado por guerras internas que levaram à demissão do co-presidente Jòrg Meuthen em janeiro.
A decisão do tribunal é histórica na medida em que se trata da primeira vez desde a II Guerra Mundial que um grande partido é colocado sob vigilância dos serviços de informações na Alemanha. Para o presidente do BfV, tratou-se de "um bom dia para a democracia", uma vez que o partido "defende o racismo, a exclusão das minorias e o desprezo pelo sistema social". "É por isso que é importante que o Gabinete para a Proteção da Constituição possa voltar a falar deste partido após um ano de silêncio", afirmou Thomas Haldenwang à DW.