Julgamento de Mubarak com sessão agitada

03 de agosto 2011 - 12:58

Na primeira sessão do julgamento, o antigo ditador egípcio negou todas as acusações e a sua defesa mandou chamar 1631 testemunhas. Tudo aponta para um julgamento longo de Hosni Mubarak, os seus dois filhos e outros oito homens do regime deposto pelos protestos no Cairo.

PARTILHAR
Mubarak foi transportado em maca até ao tribunal onde está a ser julgado.

"Nego completamente as acusações", declarou Mubarak deitado na maca onde foi transportado até ao tribunal. A acusação pretende provar que o ditador agiu de forma premeditada para matar os manifestantes que saíram à rua para protestar contra o regime. Tal como os dois filhos, Mubarak terá também de enfrentar muitas acusações de corrupção.



Fora do tribunal registaram-se confrontos entre apoiantes do antigo ditador e partidários da sua condenação  pela morte de mais de 800 pessoas nas manifestações que abalaram o regime em Fevereiro. A polícia de intervenção interveio para separar as duas partes que lançavam pedras entre si.



O jornal inglês Guardian diz que há 30 advogados na sala e mais 130 fora do tribunal que viram negada a entrada na sala de audiências. E o julgamento foi interrompido a meio da manhã e tem sido marcado por algumas situações bizarras. Um dos advogados insistiu em pedir testes de ADN ao réu para confirmar a sua identidade, por achar que não se trata do verdadeiro Mubarak e que este está morto desde 2004. Outro dos advogados pediu indemnizações por danos à segurança do país, alegando que "Deus diz no Corão que o Egipto é um lugar seguro". Alguns advogados também querem chamar ao tribunal os responsáveis de órgãos de informação e das empresas de comunicações Vodafone, Mobinil e Etisalat, por terem sido cúmplices da ditadura nas semanas das manifestações pró-democracia.



Outro momento de tensão aconteceu quando um dos advogados defendeu que o chefe das forças armadas, Muhammad Tantawi, que na prática lidera o país, também devia estar no banco dos réus. O mesmo advogado pediu a lista dos oficiais em funções entre 25 e 28 de Janeiro e das chamadas telefónicas que os acusados fizeram entre si nesse período.



Os dois filhos de Mubarak também negaram as acusações de corrupção de que são alvo.