Questionado pelo Público sobre o facto de o governo de extrema-direita italiano ter lançado um imposto sobre os lucros extraordinários dos bancos, José Gusmão frisou que “a extrema-direita chegou a estas medidas em último lugar e, mal lá chegou, recuou”.
“Outros governos de diferentes orientações fizeram-no primeiro. Veja-se o caso espanhol, que há mais de um ano avançou nesse sentido. A Comissão Europeia e o Parlamento Europeu já tinham apoiado estas medidas. Já [Giorgia] Meloni cedeu rapidamente à pressão da banca e introduziu um limite baixo e arbitrário ao volume de tributação dos lucros, que retira boa parte do impacto da medida”, assinalou o dirigente bloquista.
José Gusmão lembrou que “o Bloco e o grupo da Esquerda bateram-se durante vários meses em Portugal e no Parlamento Europeu por esta medida”.
“Começámos praticamente sozinhos e, portanto, consideramos positivo que se tenha formado uma maioria nas instituições europeias para a introduzir, que permitiu vencer as resistências do Governo Português entre outros”, continuou o eurodeputado.
Sobre a razão pela qual o Bloco considera que a contribuição extraordinária dos bancos criada no tempo de Sócrates já não é suficiente, José Gusmão explicou que “essa contribuição foi criada num contexto diferente”. “Os lucros que a banca está a ter neste momento são de natureza absolutamente diferente e estão a ser obtidos à custa da subida dos juros e da redução do poder de compra das famílias. Depois de o Estado português ter socializado boa parte das perdas do sector bancário na última década, é justo que se socializem também os ganhos extraordinários”, defendeu.
Aumentar essa contribuição e incluir a banca no imposto sobre lucros extraordinários são medidas que têm vindo a ser defendidas pelo Bloco. “Ambas as propostas visavam financiar políticas de habitação pública, mas não tivemos o apoio nem do bloco central, nem da Iniciativa Liberal, nem do Chega”, lamentou o eurodeputado.
José Gusmão enfatizou que “nenhum país se pode dar ao luxo de governar em função das flutuações dos mercados financeiros, de resto, altamente voláteis”.
“A tributação de lucros extraordinários é uma medida de elementar justiça e extremamente benéfica do ponto de vista económico, porque permite investir na economia e nas políticas sociais”, rematou.