Seis trabalhadores do Jornal do Centro, três jornalistas e três editores multimédia e vídeo, foram despedidos. O responsável pelo órgão de comunicação social sediado em Viseu diz agora que o projeto continuará só com a diretora, Sandra Rodrigues, e uma estagiária, “enquanto se procuram parceiros”.
À Lusa, o seu administrador, João Cotta, assegura que a decisão “tinha de ser tomada” porque havia perdas económicas “pesadas, na ordem dos 100 mil euros ao ano” e o jornal “não tinha qualquer apoio ou financiamento”. Afirmou ainda que este “sempre foi um projeto livre e independente e vai continuar a ser. Nunca foi um projeto de poder ou com a ambição de ter receitas enormes”.
Este acrescenta que “a comunicação social no geral está mal, a atravessar crises violentíssimas” e que “um órgão de comunicação regional está limitado à escala, ao alcance”.
A notícia deste despedimento tinha sido adiantada esta terça-feira pela Propress, uma associação que junta jornalistas, ex-jornalistas, estagiários, estudantes, professores e investigadores. Ela salientava que “o definhar dos projetos jornalísticos é uma tendência que se tem vindo a agravar enquanto tardam a chegar respostas para salvar quem dá voz aos que menos a têm, como são as populações do interior”.
A associação escrevia ainda que “ao Jornal do Centro de nada servirão agora os anunciados subsídios ao porte pago nem qualquer possibilidade de beneficiar de assinaturas para jovens”, reforçando que “é preciso mais para salvar o jornalismo, sobretudo fora dos grandes centros, que é precisamente onde menos chegam os jornalistas”.
O Jornal do Centro foi fundado em 2002. Chegou a ter uma rádio e televisão online associadas. Tinha uma edição em papel que foi suspensa em 2020 no quadro da pandemia de Covid-19. Ainda voltou a ser impresso em agosto de 2023 mas voltou a deixar de sair em março.