Greve Geral

Joaquim Espírito Santo: “Esta contrarreforma laboral só castiga quem trabalha”

28 de novembro 2025 - 10:17

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social explicou ao Esquerda.net as razões para a adesão à greve geral de quem trabalha nas Misericórdias, IPSS e Bombeiros Humanitários.

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Joaquim Espírito Santo
Joaquim Espírito Santo, coordenador do STSSSS

Como está a vossa organização a mobilizar para a greve geral?

Já andamos a alertar em reuniões e plenários de trabalhadores para a dureza do golpe que é esta contrarreforma laboral e da necessidade do endurecimento da luta e do caminho para a Greve Geral. Para além da emissão do pré-aviso de greve, enviámos também a todos os sócios por email e por carta, e aproveitando a realização da Assembleia Geral, um comunicado incentivando à Greve Geral, explicando os motivos. Comunicámos também aos órgãos de comunicação social o pré-aviso e a nossa adesão à greve. Apostámos ainda em plenários de trabalhadores nas empresas/instituições, mesmo sabendo que muitos trabalhadores não têm a possibilidade de participar por estarem a assegurar “serviços essenciais”. Divulgámos também através das redes sociais, nomeadamente através do Facebook e do site do sindicato.

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De que forma particular esta contrarreforma afetaria os trabalhadores que representam?

Afetaria os horários de trabalho, nomeadamente através do banco de horas, reduzindo também as horas extraordinárias e consequentemente afetando rendimentos que já são baixos. Aumentaria ainda mais a possibilidade de perseguição aos trabalhadores com a chantagem do despedimento, nomeadamente aqueles que não hesitam em reivindicar os seus direitos e os que, de uma forma ou outra, estão ligados aos sindicatos, dirigentes, delegados sindicais ou simplesmente sócios do sindicato. Abriria maior possibilidade de substituir trabalhadores por empresas de outsourcing. Prejudicaria ainda mais a difícil conciliação do trabalho com a vida familiar e a parentalidade e o apoio à família. Os serviços mínimos neste sector já reduzem muito a capacidade de fazer greve, com esta proposta as valências que não tinham serviços mínimos vão passar à mesma situação, ou seja, a capacidade reivindicativa das trabalhadoras e dos trabalhadores ficará substancialmente reduzida. Esta contrarreforma não traz nada de bom, pelo contrário, só castiga quem trabalha.

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Como sindicato independente, como valorizam a unidade na ação CGTP/UGT e de várias organizações independentes nesta greve geral?

Antes de tudo, é importante esclarecer que não somos propriamente um sindicato independente. O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social é um sindicato em processo de filiação na CGTP. Respondendo mais diretamente à questão colocada, compete-nos dizer, enquanto sindicato, que valorizamos, evidentemente, esta unidade entre a CGTP e a UGT. Aliás, somos um sindicato que, conjuntamente com outros vinte sindicatos, fomos e somos promotores da iniciativa/plataforma “Convergência sindical” que tudo fez e esteve na origem, acreditamos nós, da convergência para a greve geral entre a CGTP e a UGT. A unidade na ação nomeadamente na Greve Geral é um dos nossos grande objetivos porque dá muito mais força aos trabalhadores e suas lutas, e só assim podemos derrotar esta contrarreforma.