Está aqui

Itália vai aumentar taxa sobre lucros extraordinários do setor energético

Na semana em que muitas petrolíferas anunciaram o aumento dos seus lucros - quase 500% no caso da Galp -, Mario Draghi anunciou que quer aumentar para 25% a taxa sobre lucros extraordinários. Em Portugal, o Governo continua a recusar a proposta do Bloco.
António Costa e Mario Draghi. Foto União Europeia.

Os relatórios de atividade das principais empresas do setor dos combustíveis continuam a confirmar lucros extraordinários. Esta semana, a Galp e a BP reportaram novo aumento dos lucros no 1º trimestre deste ano, num contexto em que os preços dos combustíveis como a gasolina ou o gasóleo têm subido a pique.

A Galp registou lucros de 155 milhões de euros no 1º trimestre do ano. O resultado líquido ajustado da empresa aumentou em 496% face ao mesmo período do ano passado, quando o país se encontrava em confinamento. Também foi superior ao registado no último trimestre do ano passado (130 milhões de euros).

A BP também anunciou um aumento significativo dos seus ganhos no 1º trimestre do ano, os mais elevados da última década. Os lucros subiram para 6,2 mil milhões de dólares no período de janeiro a março de 2022, bem acima dos 2,6 mil milhões registados no mesmo período do ano passado.

Na semana passada, a Chevron também tinha confirmado esta tendência: a empresa, que é a segunda maior produtora de petróleo dos EUA, declarou um lucro ajustado de 6,5 mil milhões de dólares, ou 3,36 dólares por ação, no primeiro trimestre, acima dos 1,7 mil milhões de dólares, ou 0,90 dólares por ação, no mesmo período do ano passado.

Os enormes ganhos das petrolíferas surgem num momento em que a subida do preço dos combustíveis afeta a maioria das pessoas. Alguns países já avançaram com medidas para combater esta tendência. Em Itália, o governo de Mario Draghi já anunciara uma taxa de imposto de 10% sobre os lucros extraordinários, destinada a financiar as medidas de resposta à crise. Agora, planeia aumentá-la para 25%.

FMI e OCDE defendem medida, Governo não quer "hostilizar" empresas que ganham com a crise

A medida é defendida por instituições internacionais como o FMI ou a OCDE. O secretário-geral da instituição, Mathias Cormann, disse recentemente que “há capacidade para aumentar o nível dos impostos pagos pelas empresas deste setor e redirecionar parte desse dinheiro para a aplicação de medidas para amortecer o impacto”.

Em Portugal, o Bloco defende uma medida semelhante, sobretudo em relação a setores como o da energia, onde as grandes empresas estão a lucrar com o aumento dos preços. No entanto, o Governo continua a recusar essa solução. O ministro da Economia, António Costa Silva, foi claro: “Nesta altura não, de todo [...]. O que eu posso dizer é que nós respeitamos muito as empresas e portanto não hostilizamos as empresas.”

Termos relacionados Internacional
(...)