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Israel vai outra vez a eleições legislativas

Netanyahu enfrenta um julgamento por corrupção, fortes críticas pela gestão da pandemia e um novo rival saído do Likud. Ainda assim, terá aproveitado o debate orçamental para deitar abaixo o seu governo, explorando as dificuldades de Benny Gantz com o qual “empatou” nas últimas eleições.
Netanyahu na sua declaração ao país em que anuncia novas eleições. Dezembro de 2020. Foto de Yonatan Sindel/EPA/Lusa.
Netanyahu na sua declaração ao país em que anuncia novas eleições. Dezembro de 2020. Foto de Yonatan Sindel/EPA/Lusa.

Esta terça-feira, o Orçamento do Estado voltou a não ser aprovado no parlamento israelita, conduzindo o país à sua quarta eleição parlamentar em dois anos. O ato eleitoral realizar-se-á no próximo mês de março.

O primeiro-ministro Netanyahu tem sido criticado pela sua gestão da pandemia e enfrenta julgamento por corrupção, suborno e abuso de confiança. Pela frente nas próximas eleições terá não só Benny Gantz, o rival de centro-direita com o qual praticamente empatou nas passadas eleições, e depois fez um governo de “unidade” em maio, prometendo uma rotatividade que nunca aconteceu, mas também Gideon Saar, antigo ministro da Educação e do Interior que saiu do Likud no início do mês e disputa esta área política com o seu partido Nova Esperança. Outro dissidente mais antigo do Likud, que ocupou igualmente vários cargos ministeriais, espreita também a oportunidade.

Ainda assim, vários analistas sublinham que terá sido o primeiro-ministro a forçar as eleições, tentando assim desenvencilhar-se de Gantz. Isso mesmo deixou entender no Twitter o político que ocupava a pasta de ministro da Defesa e esperava chegar a primeiro-ministro em novembro de 2021: “Netanyahu está a levar-nos para eleições com o único propósito de não entrar na sala audiências”. A coligação Azul e Branco, que lidera, está dividida, desde logo por causa da coligação e depois por causa dos passos tomados por Gantz para tentar evitar eleições, e em queda nas sondagens.

No seu anúncio televisivo, Netanyahu entrou logo em modo de campanha, gabando-se dos milhões de doses da vacina para a Covid-19 que vão começar a ser distribuídas e dos avanços diplomáticos com os Emirados Árabes Unidos, o Bahrain, o Sudão e Marrocos, proporcionados pela ajuda de Trump.

Corrupção com submarinos quase tinha feito cair o governo em novembro

Não se pode dizer que antes desta rutura o governo tivesse vivido momentos de tranquilidade. No final do mês passado, a tensão entre os dois lados estava ao rubro com Gantz, no seu papel de ministro da Defesa, a ter decidido avançar com uma comissão de inquérito a um caso de corrupção que envolve aliados próximos de Netanyahu e altos escalões militares.

Em causa está a compra de submarinos e corvetas à alemã Thyssenkrupp. Há suspeitas, explica o Times of Israel, de “um esquema massivo de subornos” no negócio milionário. O ex-ministro da defesa de Netanyahu, Moshe Ya’alon, é um dos envolvidos. David Shimron, advogado pessoal do primeiro-ministro e seu primo em segundo grau também, está a ser investigado, assim como David Sharan, ex-assistente de Netanyahu e do ministro da Energia Yuval Steinitz, o representante da Thyssenkrupp em Israel, Miki Ganor, e um ex-comandante da marinha israelita, Eliezer Marom.

A decisão caiu muito mal do lado do Likud. Com Miki Zohar, porta-voz parlamentar da coligação, a dizer que se tratava “de um ato de desafio contra o Likud e o seu líder” e que isso seria uma via para forçar eleições no meio de uma crise global.

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