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Israel intensifica demolições na Cisjordânia

Israel aumentou exponencialmente as demolições de edifícios palestinianos na Cisjordânia cuja construção fora financiada pela UE. Netanyahu já tinha prometido em campanha anexar "todos os colonatos" na Cisjordânia ocupada e os EUA defendem a legalidade dos mesmos.
Israel intensifica demolições na Cisjordânia
Foto de Maureen/Flickr.

Israel acelerou a demolição de estruturas palestinianas financiadas com fundos da União Europeia na Cisjordânia. Estas demolições surgem na sequência de mais declarações sobre ocupações dos territórios em questão. 

A notícia é do Euobserver e dá conta da demolição ou ocupação  ao longo do ano de 2019 de um total de 97 estruturas, num valor de cerca de 480 mil euros. Estes edifícios terão sido construídos com recurso a financiamento da União Europeia ou de Estados membros. 

Se comparado com o ano de 2018, em 2019 houve um aumento de 90% das estruturas demolidas ou ocupadas por Israel na Cisjordânia e de 95% de palestinianos despejados na Cisjordânia.

Segundo o ministro israelita da Defesa, Naftali Bennet, a tendência de demolições, ocupações e despejos é para manter.

"O estado de Israel tudo fará para garantir que esses territórios fazem parte de Israel", afirmou Bennet num evento em Jerusalém. Em causa estão os territórios da Área C, uma vasta faixa na Cisjordânia que, de acordo com a ONU, pertence à Palestina, mas que está sob ocupação militar israelita desde 1967. 

“Estamos a dar início a uma verdadeira batalha pelo futuro da terra de Israel e pelo futuro da Área C”, afirmou o ministro da Defesa numa citação do The Jerusalem Post. “Não estamos nas Nações Unidas”, concluiu. 

Em reação a estas declarações, o Serviço de Relações Externas da UE lembrou que as “demolições e apreensões de bens humanitários vão contra as obrigações de Israel à luz do direito internacional”. 

“Continuamos focados em interromper as demolições e a construção e expansão de colonatos, e na proteção humanitária das populações mais vulneráveis”, afirmaram em comunicado. 

A União Europeia e a ONU defendem uma solução de dois estados para pôr fim ao conflito na região. De acordo com a proposta, a Cisjordânia e Gaza fazem parte da Palestina e Jerusalém seria a capital de ambos os estados. Porém, desde 1967 que mais de 630 mil colonos israelitas ocupam territórios na Cisjordânia. 

Também a recente decisão dos Estados Unidos da América, de mudar a embaixada para Jerusalém e defender uma suposta legalidade dos colonatos, vêm dificultar ainda mais a solução do conflito tal como proposta pela União Europeia. 

“A política de colonatos de Israel prejudica gravemente a viabilidade de uma solução de dois estados e a perspectiva de paz duradoura”, afirmou o Serviço de Relações Externas da UE. 

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