Numa entrevista à Rádio do Exército de Israel, Netanyahu manifestou o seu desejo de “estender a soberania a todos os colonatos e blocos (colonatos)”. O seu objetivo passa por incluir “locais que tenham importância de segurança ou que sejam importantes para a herança de Israel”.
Ao ser questionado sobre se tal incluía centenas de judeus que vivem sob pesada guarda militar no meio de dezenas de milhares de palestinanos em Hebron, o primeiro-ministro israelita respondeu: “Claro que sim”.
Neste momento, Netanyahu luta pela sua sobrevivência política. É a segunda vez que o país tem eleições legislativas este ano. Após as de abril, Netanyahu não conseguiu formar governo, o que provocou a dissolução do parlamento.
As novas eleições estão marcadas para esta terça-feira e, para além da corrida eleitoral acirrada, há uma série de problemas legais concernentes ao primeiro-ministro, já que há uma recomendação do procurador-geral para indiciá-lo por suborno, fraude e quebra de confiança.
Nas últimas semanas, para tentar aumentar o seu apoio, Netanyahu fez uma série de promessas ambiciosas. Entre elas, estava a de anexar o vale do Jordão, área que os israelitas veem como estratégica e que os palestinianos consideram fundamental para o seu Estado futuro.
Os analistas já chamaram a atenção para as consequências da prática destas promessas. Cumpridas, eliminariam qualquer esperança palestiniana de estabeler um Estado separado.
Os rivais políticos de Netanyahu, por sua vez, rejeitam a ideia de anexação e consideram-na uma jogada eleitoral, já que, durante mais de uma década no poder, o primeiro-ministro não anexou qualquer território. Este ano, Netanyahu superou David Ben-Gurion (primeiro-ministro de Israel) como líder mais antigo do país. Contudo, o primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana, Mohammad Shtayyeh, já reagiu, afirmando que Netanyahu se revela o “primeiro destruidor do processo de paz”.
A comunidade internacional considera ilegais praticamente todos os colonatos israelitas na Cisjordânia e no leste de Jerusalém.