O conflito que teve início com a ordem de expulsão de palestinianos das suas casas em Jerusalém agrava-se de dia para dia. Esta quinta-feira, quando os muçulmanos comemoram o feriado do fim do jejum do Ramadão, Israel intensificou os ataques aéreos sobre Gaza e encheu a fronteira de tanques e tropas prontos a atacar.
O ministro da Saúde de Gaza diz que estão confirmados 84 mortos, entre os quais 17 crianças, e mais de 480 feridos. Do outro lado da fronteira, os rockets disparados a partir de Gaza fizeram sete mortos, segundo as autoridades de Telavive. Além dos ataques aéreos e dos rockets, a violência ocorre também dentro de Israel. Famílias palestinianas da cidade de Haifa contaram à Al-Jazeera que bandos de extremistas israelitas marcaram as portas das suas casas na quarta-feira à noite com tinta vermelha, sendo depois atacadas ante a passividade da polícia. “Centenas, ou mesmo milhares de colonos atacaram os bairros árabes de Haifa esta noite”, contou uma habitante da cidade à cadeia informativa. “Perguntavam onde viviam os árabes. Atacaram-nos nas nossas casas à pedrada sob proteção das forças de segurança. Havia dezenas de polícias, com carros e até cavalos. Não tínhamos nada para nos protegermos na nossa própria casa”, acrescentou.
Vários protestos e confrontos multiplicaram-se noutras dezenas de cidades e vilas onde vivem israelitas e árabes. Há vários episódios de espancamentos de cidadãos árabes em plena rua às mãos de bandos israelitas. As principais transportadoras aéreas cancelaram os voos para o aeroporto Ben Gurion e o braço militar do Hamas confirmou ter disparado pela primeira vez um míssil em direção ao aeroporto internacional Ramon, a 220 quilómetros de Gaza, em resposta ao assassinato de vários dos seus comandantes.
Segundo a Reuters, os militares israelitas dizem que desde o início do atual conflito, mais de 1.600 rockets foram disparados a partir de Gaza, dos quais 400 não chegaram a atravessar a fronteira. O sistema de defesa aérea israelita reclama ter intercetado cerca de 90% dos rockets vindos de Gaza. Quanto aos ataques promovidos por Israel, os militares falam de 600 alvos atingidos na Faixa de Gaza e ameaçam agora apresentar um plano para a invasão terrestre aos decisores políticos, o que a concretizar-se iria agravar ainda mais a violência do conflito.
Entre os apelos internacionais ao fim dos ataques, juntaram-se Vladimir Putin e António Guterres durante uma videochamada relatada pelo Kremlin. “À luz da escalada do conflito, foi sublinhado que o principal objetivo é o de parar os atos violentos de ambos os lados e assegurar a proteção da população civil”, diz a declaração de Moscovo. Uma delegação do Egito esteve em Gaza e Telavive para tentar mediar uma trégua entre Israel e o Hamas. Quanto a Joe Biden, cuja administração anunciou o envio do subsecretário adjunto para os assuntos israelitas e palestinianos Hady Amr para a região, afirmou esperar que os confrontos acabem em breve.
No plano político interno de Israel, quem parece estar a colher dividendos é o primeiro ministro Netanyahu que vê neste conflito um novo balão de oxigénio, ao ter paralisado as negociações dos partidos da oposição com vista a formarem um governo que o possa finalmente destituir do cargo.