Para a primeira greve de 24 horas nos últimos 48 anos, mulheres e pessoas não binárias estão convocadas em toda a Islândia para a paralisação ao trabalho profissional e doméstico. A primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir quis dar o exemplo e anunciou que não irá trabalhar neste dia. Também Eliza Reid, mulher do presidente islandês Guðni Jóhannesson, anunciou nas redes sociais a sua adesão à greve, recordando que quase meio século depois da histórica greve de 1975, "a igualdade ainda está longe de estar conquistada" no país. O próprio Presidente também evocou a greve das mulheres, que é a sétima desde 1975 mas a primeira a durar 24 horas, afirmando que "o ativismo pela igualdade transformou a sociedade islandesa para melhor e continua a fazê-lo hoje".
Apesar de ser considerada um exemplo e se ter cronicamente o lugar cimeiro nos rankings internacionais da igualdade de género, a Islândia ainda é marcada pela desigualdade salarial nalguns setores, com as mulheres a receberem menos 20% do que os homens nas mesmas funções. Um estudo da Universidade da Islândia aponta também que 40% das islandesas já sofreram violência sexual e de género pelo menos uma vez na vida.
"Estamos aqui para chamar a atenção para o facto de sermos considerados um paraíso da igualdade, embora ainda persistam desigualdades de género e uma necessidade urgente para agirmos", afirmou à Reuters a sindicalista Freyja Steingrímsdóttir, da Federação Islandesa dos Trabalhadores do Setor Público, dando o exemplo dos setores predominantemente femininos como os serviços de saúde e apoio à infância que "ainda são muito desvalorizados e com salários mais baixos".
O impacto da greve fez-se sentir pela manhã, com as autoridades de Reiquiavique a apontarem uma redução de 28% no tráfego urbano da capital em comparação com a terça-feira da semana passada. Freyja Steingrímsdóttir acrescentou que além da redução do trânsito, os serviços públicos estavam a funcionar com grandes limitações e muitas lojas não chegaram a abrir. Em dez cidades realizaram-se concentrações de apoio à greve das mulheres. A maior concentração ocorreu em Reiquiavique e juntou milhares de pessoas, com intervenções de organizadoras da greve e música ao vivo.
On a spectacular autumn day in Reykjavík tens of thousands of women assemble to protest against the gender pay gap and gender based violence. #womensstrike #kvennaverkfall pic.twitter.com/hUHuyebxLJ
— Dr Helgi (@doctorhelgi) October 24, 2023