Iraquianos rejeitam bases militares dos EUA após a retirada

22 de outubro 2011 - 4:06

Barack Obama anunciou a retirada completa das tropas norte-americanas do Iraque no final do ano, após longas negociações com os iraquianos. O primeiro-ministro Nouri al-Maliki não autorizou a permanência de bases militares no país, nem garantiu a imunidade para os militares que os EUA queriam manter no Iraque.

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Obama sublinhou que estava a cumprir uma promessa eleitoral, mas o anúncio foi lido como uma derrota política dos EUA.

Os EUA vão retirar os cerca de 40 mil soldados que ainda mantêm no Iraque e deixam em funcionamento a embaixada e dois consulados. Mas a presença física de norte-americanos no país não vai passar despercebida: a estimativa é a manutenção de cinco mil mercenários ao serviço de empresas privadas de segurança.

Segundo o correspondente em Washington do jornal Guardian, o facto de ser a segunda vez este ano que Obama anuncia a retirada das tropas do Iraque a 31 de Dezembro significa o falhanço definitivo das tentativas da administração norte-americana para convencer o governo iraquiano a aceitar pelo menos a permanência de uma base militar. Ainda segundo o Guardian, al-Maliki transmitiu a sua posição final por videoconferência na manhã de sexta-feira, horas antes do anúncio de Obama. Os EUA mantêm ainda 20 das 505 bases militares que estiveram operacionais no Iraque.

Obama tentou capitalizar politicamente o seu anúncio, sublinhando que se tratava de cumprir uma promessa de campanha. Lembrou que quando chegou à Casa Branca tinha 180 mil soldados no Iraque e no Afeganistão e que esse número foi reduzido para metade e continua a descer. "A maré da guerra está a retroceder", explicou aos jornalistas, referindo-se ao Iraque, mas também ao Afeganistão e à Líbia, onde a NATO tinha acabado de anunciar o fim da intervenção militar para 31 de Outubro. 

Respondendo aos jornalistas após a declaração do presidente dos EUA, o conselheiro de segurança Dennis McDonough quis desfazer a ideia de que seria o Irão o grande vencedor destas negociações. "Hoje vemos um Irão cada vez mais isolado", disse McDonough.