Institutos de Oncologia negam medicamentos caros a pacientes de cancro

05 de agosto 2013 - 11:43

Denúncia do Diário de Notícias já levou a Ordem dos Médicos a pedir explicações ao Ministério da Saúde de uma sonegação que considera escandalosa. Liga Portuguesa Contra o Cancro admite recorrer aos tribunais europeus.

PARTILHAR
O Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil de Coimbra é um dos que terá negado o fornecimento de medicamentos devido ao elevado preço. Foto de Evolife

A Liga Portuguesa Contra o Cancro admite recorrer aos tribunais europeus contra uma alegada recusa dos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) – de Lisboa, Porto e Coimbra – a fornecer medicamentos inovadores, considerados demasiado caros, a doentes com cancro.

A denúncia é feita pelo Diário de Notícias, na edição desta segunda-feira. A exposição destes casos já levara a Ordem dos Médicos a pedir explicações ao Ministério da Saúde, sem ter obtido resposta.

O bastonário da Ordem, José Manuel Silva, afirma que a sonegação do acesso a certos medicamentos (um deles custa 3.500 euros) é um escândalo.

Ouvida pela Lusa, a presidente da Associação dos Administradores Hospitalares considera que a decisão não teve por base apenas a questão economicista. "Diria – com grande probabilidade de não errar – que não é uma questão de valor do fármaco que está em causa, é uma questão, quando muito, de relação entre o seu valor e a sua eficácia, que poderá não estar completamente demonstrada", disse Marta Temido.

Mas o secretário nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso, diz que os IPO se estão a substituir ao Infarmed e acusa o Ministério da Saúde de desnorte, já que alguns hospitais estarão a dar tudo aos doentes enquanto outros não dão nada.

Contactada também pelo Diário de Notícias, fonte do ministério diz que estas decisões são da exclusiva responsabilidade das comissões de farmácia e terapêutica das administrações dos hospitais.