Era através do desenho que a página Alpatuni pretendia ilustrar as dificuldades da vida dos gays muçulmanos na Indonésia. 5,933 pessoas seguiam as bandas desenhadas que mostravam um quotidiano de discriminação e de abuso, num país dominado pelos conservadores. A página explicava o seu conteúdo como “comics Gay muçulmanos para pessoas que podem pensar”.
O ministério das Comunicações terá visto algo diferente. Não gostou do conteúdo do perfil, acusou-o de “pornografia” e de “violar a decência” e, portanto, de violar a lei “de Informação e Transações Eletrónicas” (ITE) do país. Por isso, escreveu uma carta a pressionar o Instagram, ameaçando bloquear a rede social no país. Ao mesmo tempo, surgiu toda uma série de denúncias que o Ministério tratou de agradeceu por, escreveu em comunicado, terem ajudado a “acelerar o processo”.
2beer! Ini gimana..... pic.twitter.com/Lyef8QGVEk
— Tubi syg bu Susi (@tubirfess) 11 de fevereiro de 2019
E a rede social acabou por ceder, bloqueando a página. Uma página de facebook com o mesmo nome desapareceu igualmente.
A Human Rights Watch tem denunciado que a lei ITE e as leis contra a pornografia têm sido utilizadas para “criminalizar a homossexualidade”. E o mesmo tem feito a Amnistia Internacional.
On Feb.13, Instagram moved an account under the username Alpatuni, following a request from Rudiantara, the comms & info minister. The minister claimed that the account “promoted pornography” under Article 27 paragraph 1 of the 2008 law on Electric Information and Transactions.
— Amnesty International (@amnestyusa) 13 de fevereiro de 2019