Está aqui

Inflação: Catarina Martins quer proteger salários dos “recuos” da maioria absoluta do PS

A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou “absolutamente ultrajante”, que, perante uma “inflação galopante”, quem vive do seu trabalho tem de pagar a crise da inflação, enquanto há empresas com lucros extraordinários, como a GALP que teve um “aumento de quase 500% dos lucros”, no primeiro trimestre.
Fórum da Água - foto esquerda.net
Fórum da Água - foto esquerda.net

Em declarações à margem do Fórum da Água, que se está a realizar em Quarteira no Algarve, a coordenadora do Bloco de Esquerda, considerou “absolutamente ultrajante” que, perante uma “inflação galopante”, os salários e pensões sejam reduzidos, ao mesmo tempo que algumas empresas apresentam lucros extraordinários.

“Os lucros da GALP aumentaram quase 500% no primeiro trimestre deste ano” destacou Catarina Martins, sublinhando também que “os administradores das maiores empresas aumentaram a sua remuneração em quase 90%”.

“E o Governo diz que a resposta à inflação é deixar que os salários fiquem cada vez mais curtos e as pensões. Ora, isto não é aceitável, isto precisa de um sobressalto cívico, até, no país. Um sobressalto que diga que não pode ser quem trabalha, quem tem salários e pensões tão curtos, a pagar esta crise da inflação, que está a encher verdadeiramente os bolsos de alguns”, frisou.

Questionando o discurso de que “quem trabalha é que paga todas as crises”, Catarina Martins lembrou que não se aceitou isso no tempo da troika e criticou as promessas feitas pelo PS e que muito pouco duraram.

“Durou, julgo, quê, dois dias, a ideia de que se ia recuperar rendimentos no trabalho. Promete o primeiro-ministro no 1º de Maio, dia 03 de maio a ministra da Presidência diz que já nem pensar, é verdade, quem vive do seu trabalho é que vai pagar a inflação. E acho que a taxa sobre os lucros extraordinários das empresas que estão a ganhar com a inflação durou uns bons 45 minutos”, ironizou.

Catarina Martins defendeu que haja um debate na sociedade sobre a situação em que as pessoas vivem atualmente em Portugal, pois o facto de o país aceitar que haja um empobrecimento dos cidadãos e que estes tenham de pagar a inflação “é uma degradação das próprias condições” da democracia.

“Exige um grande debate na sociedade sobre se achamos normal que a Galp aumente os seus lucros em 500% no primeiro trimestre e nos venham dizer que os salários têm de ficar mais curtos para controlar a inflação. A sério? São os salários que provocam a inflação? Os salários que estão cada vez mais curtos, as pensões cada vez mais curtas é que estão a provocar a inflação? Ou o que provoca a inflação é o preço da energia?”, perguntou.

“Não foi isto que o Partido Socialista prometeu nas eleições, pois não?"

“Não foi isto que o Partido Socialista prometeu nas eleições, pois não? Tão pouco tempo depois, já está a faltar à palavra que deu”, criticou, sublinhando que aumentar os salários e as pensões à escala da inflação “não é sequer aumentar salários e pensões”, mas sim “permitir que as pessoas não fiquem mais pobres”.

Apontando que o Bloco “preparou um relatório que prova que esta inflação não tem nada a ver com salários”, Catarina Martins defendeu que “aumentar os salários não tem nenhum risco inflacionista, pelo contrário é a forma de proteger a economia, de proteger quem trabalha”.

“A inflação está a ser toda provocada por uma enorme pressão no setor da energia, que é o que explica que a GALP num período destes possa ter uma subida dos lucros de quase 500% e que se estende para outras áreas nomeadamente a área da grande distribuição”, prosseguiu.

"É preciso controlar os preços"

“O que é preciso é controlar os preços. Preços controlados com salários descongelados”, defendeu a coordenadora bloquista, acrescentando: “Propomos que haja controlo de preços, nomeadamente em setores em que há oligopólio como por exemplo, nas petrolíferas, propomos que setores que têm os ‘lucros caídos do céu’ possam ser tributados”.

“E essa é a sensatez deste tempo, não deixar que Portugal empobreça. Quando não se atualizam salários e pensões sequer à inflação estamos a dizer que todo o país tem de empobrecer e em nome de quê? Em nome de que a GALP possa aumentar em quase 500% os seus lucros, no primeiro trimestre, e isso é absolutamente inaceitável”, concluiu Catarina Martins.

Termos relacionados Política
(...)