Trabalhadores das cantinas, restauração e hotelaria estivera esta segunda-feira em greve, convocada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT). As principais exigências são a negociação dos contratos coletivos destes três setores e aumentos salariais "dignos e justos".
A paralisação teve particular impacto nas cantinas escolares, a Norte, a Centro e na zona da Grande Lisboa (Sintra, Cascais), tendo afetado outros seviços públicos como cozinhas dos hospitais e refeitórios do IEFP, bem como em algumas cantinas de empresas.
Além da paralisação, mais de uma centena de trabalhadores e trabalhadoras concentraram-se em frente à sede da AHRESP, em Lisboa. Vários dirigentes sindicais da FESAHT, afeta à CGTP, referiram a indignação perante o bloqueio patronal à negociação e a recusa de uma atualização salarial digna. Lamentaram ainda que, a par da indisponibilidade para negociar com os sindicatos mais representativos, tenham sido celebrados acordos com sindicatos da UGT que incluem retrocessos, como adaptabilidade e horários longos sem a devida compensação, a troco de aumentos salariais muito pequenos.
Estes são setores dominados pelos baixos salários, pela pressão sobre os trabalhadores, horários desregulados e precariedade. O salário mínimo ou pouco acima deste é o que leva para a casa ao fim do mês a maioria das pessoas que ali trabalham. Em contraste, são áreas de negócio que têm apresentado crescimento e lucros. A FESAHT cita as estatísticas do INE que dá o conta do aumento do número de hóspedes e dormidas (acima de 12%) em março, com o rendimento médio por quarto disponível a aumentar 15,1%, bem como dos aumentos dos preços das refeições no setor da restauração em valores acima da inflação.
“Eles querem é manter o bolo deles”
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, esteve presente e deixou uma mensagem de indignação perante a postura do patronato. Referindo-se às declarações recentes da representante da AHRESP, que defendeu que as empresas tinham dificuldade em pagar salários acima do salário mínimo, acusou: “Eles querem é manter o bolo deles em vez de aumentar os salários de miséria no sector”.
Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, esteve também presente na concentração e levou uma mensagem de solidariedade do partido. Referindo-se à situação no setor, que classificou como uma das mais graves no panorama laboral do país, declarou que “não podemos aceitar empobrecer a trabalhar”. Enaltecendo a mobilização dos trabalhadores, considerou a sua luta “um grande exemplo e uma inspiração” para o conjunto da classe trabalhadora e para a luta pelo salário.