Hotel onde está instalada a seleção portuguesa de futebol foi palco de protestos

30 de maio 2014 - 7:48

Cerca de 80 manifestantes concentraram-se esta quinta feira em frente ao Hotel Marriott, em Óbidos, onde a seleção portuguesa de futebol está a estagiar para o Mundial 2014, como forma de protesto contra o despedimento coletivo de 11 trabalhadores.

PARTILHAR
Imagem da RTP.

A iniciativa de “solidariedade e denúncia pública” foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares (STIHTRS). Segundo afirmou o dirigente sindical António Baião em declarações à agência Lusa, o Grupo Béltico – Belticorest e Hotel da Praia, proprietário do Hotel Marriott, pretende, com o despedimento coletivo de 11 trabalhadores, assegurar “o afastamento da intervenção sindical da empresa”.

António Baião referiu, inclusive, que o despedimento dos 11 trabalhadores foi anunciado depois de o STIHTRS ter posto em marcha “um processo negocial para melhorar algumas condições relacionadas com o horário de trabalho e outros direitos que não estavam a ser cumpridos”.

As negociações foram, entretanto, interrompidas com “o anúncio, por parte da empresa, de que irá haver uma nova administração”, o que ainda não se verificou, tendo os trabalhadores visados recebido uma carta de despedimento.

O STIHTRS denuncia que não existe “motivo para este despedimento coletivo”, sendo que as cartas enviadas não indicam “critérios objetivos” para a escolha daqueles trabalhadores, alguns dos quais delegados e dirigentes sindicais.

Segundo refere António Baião, “a administração enviou aos trabalhadores cartas em que os considera como dos mais qualificados da unidade” e indica que, por isso, “têm mais facilidade em arranjar emprego”.

A dirigente sindical Paula Carvalho, que, com seis anos de casa, também é abrangida por este despedimento coletivo, frisou não conseguir compreender esta medida. “Não conseguimos compreender este despedimento quando todos os dias tenho que ensinar pessoas de empresas de trabalho temporário para fazerem a minha função, o que significa que há necessidade destes trabalhadores”, avançou.

Durante a concentração, os manifestantes aprovaram uma moção em que acusam a administração de “uma violação clara e grosseira dos requisitos de objetividade, transparência e não discriminação” que deveriam ser observados no processo de despedimento.

Um processo repleto de “contradições”, como quando a administração “se escuda em dificuldades económicas” mas, simultaneamente, “aumenta salários e faz promoções” e “contrata trabalhadores a empresas exteriores” ao grupo.