Hospital de Braga: Demitem-se dez chefes de serviço de urgência

26 de outubro 2021 - 10:12

Falta de condições de trabalho e desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde foram os motivos que levaram à demissão de metade dos chefes de serviço de urgência do Hospital de Braga. Moisés Ferreira considera que “o Governo não tem apresentado medidas para responder aos problemas do SNS”.

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Demitem-se dez chefes de serviço de urgência no Hospital de Braga. Fotografia: Hospital de Braga

A notícia da demissão de metade dos chefes de equipa de urgência do Hospital de Braga foi dada a conhecer pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), na segunda feira.

Entretanto, em declarações à agência Lusa, a administração do Hospital assevera que o Serviço de Urgência “mantém o normal funcionamento”, informando estar “em diálogo” com os chefes de equipa demissionários “por forma a chegar a um consenso célere entre todos os intervenientes”.

O secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, manifestou solidariedade para com os demissionários, sublinhando que este é mais um “grito de alerta” para a “escassez” de profissionais e de meios que se regista “um pouco por todos os hospitais públicos do país”.

A propósito da situação vivida na urgência do Hospital de Braga, Hugo Cadavez, do SIM, explica que quando os médicos estão "no exercício de funções como chefes de equipa, estão ao mesmo tempo a prestar atividade assistencial numa unidade de Cuidados Intermédios do serviço de urgência. É inacreditável, é uma situação que não pode acontecer". Em declarações ao Jornal de Notícias, o dirigente sindical considera que estas demissões são resultado de uma "insatisfação crescente ao longo dos últimos meses". 

“É fundamental atrair profissionais, não apenas através da correta remuneração, mas também oferecendo condições de trabalho e de progressão e diferenciação profissional. É fundamental tratar bem os médicos e evitar as rescisões que têm ocorrido”, refere o SIM.

Em declarações ao esquerda.net, Moisés Ferreira afirma que “depois de mais de ano e meio de pandemia e com as equipas no limite, não há nada no Orçamento de Estado para 2022 relativamente a carreiras ou melhoria das condições de trabalho”.

O deputado bloquista considera “inominável” a proposta ínsita no Orçamento, “para que os médicos sejam estimulados a fazer mais de 500 horas extraordinárias por ano”. “Não é assim que se vai resolver o problema das urgências de Braga, como não se resolverá o problema do hospital de Setúbal ou outros” conclui. 

O Hospital de Braga funciona nas atuais instalações desde maio de 2011. É um hospital central com urgência geral, pediátrica e obstétrica, e uma capacidade de internamento que vai até às 704 camas. Providencia resposta direta a uma população de mais de 270 mil utentes e abrange mais de um milhão de habitantes, dos distritos de Braga e Viana do Castelo, sendo referência de primeira linha para algumas das especialidades médicas e de segunda linha nas restantes.