Em conferência de imprensa realizada esta segunda-feira em frente ao hospital da Guarda, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) voltou a alertar para a precariedade destes profissionais no SNS.
“Temos profissionais que entraram na altura do covid. Estes contratos foram inicialmente de quatro meses, passaram a termo incerto, mas têm de ser contratos sem termo porque estes colegas estão a satisfazer as necessidades permanentes da instituição”, afirmou Alfredo Gomes, da direção nacional do SEP, em declarações à agência Lusa.
No caso deste hospital, integrado na Unidade Local de Saúde da Guarda, são 60 os enfermeiros que continuam com contrato a termo incerto. E apesar de o Ministério garantir que os hospitais têm alguma autonomia, "o certo é que continua por resolver, porque depois o Governo não aprova os documentos”, prossegue o sindicalista. Estes enfermeiros “são necessários nesta ULS e a qualquer altura podem ir para a rua. É disto que se trata”, sublinha, acrescentando que este hospital até precisa de mais enfermeiros do que os que tem atualmente, reforçando a injustiça da situação.
“Temos colegas com filhos, outros que querem casar e comprar casa e não podem. Porque vão ao banco pedir empréstimo e não dão porque não têm emprego. Para todos os efeitos para o banco não têm emprego”, alertou Alfredo Gomes.
A falta de enfermeiros leva a que haja "milhares de horas extraordinárias gastas na ULS da Guarda”, com enfermeiros “com 30 e 50 dias de descanso compensatório por gozar porque o serviço não permite”, uma situação agravada com a atual crise nos serviços de urgência.