Segundo a Lusa, a ASF-ASAE aponta “diversas situações relacionadas com a proibição de os inspetores inspecionarem determinado agente económico, ou ainda o caso em que as brigadas foram mandadas retirar dos locais em que estavam a inspecionar”.
A associação acusa que nas inspeções “há claramente uma interferência política gratuita e uma violação de equidade que deve haver para com todos os operadores económicos”, diz que já questionou o secretário de estado Adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, mas não obteve resposta até agora.
Considerando que a liberdade do ato inspetivo e a autonomia dos inspetores ficam em causa, a ASF-ASAE garante que “tudo fará para que esta situação seja devidamente esclarecida, de modo a saber-se quem foram os autores das ordens emanadas e o que motivou a proibição dos inspetores darem continuidade ao exercício das suas funções”.
Em declarações ao “Diário de Notícias”, o presidente da ASF-ASAE, Albuquerque do Amaral, denunciou uma reunião promovida pelo secretário de estado Leonardo Mathias com a presença de altos quadros da ASAE e de um agente económico cuja atividade tinha sido suspensa na sequência de uma inspeção feita pela ASAE. Segundo Albuquerque do Amaral, Leonardo Mathias teria “relações pessoais com o agente económico” em questão e a suspensão foi levantada após a reunião.
O presidente da ASF-ASAE referiu também que uma brigada interrompeu uma inspeção em curso numa feira em Portalegre.
No comunicado, a associação recorda também o estudo divulgado recentemente que revelou o facto de “na ASAE a meritocracia se encontrar enfraquecida, o ingresso se fazer sem concursos (os famosos para-quedistas, que continuam a chegar) e as promoções a dependerem essencialmente do amiguismo, das relações pessoais e de outras forças obscuras (dizemos nós)” e aponta que o mesmo estudo refere que os inspetores se mantêm imunes à corrupção, sublinhando “a forma como a tutela tem tratado os inspetores, que nem um estatuto de carreira têm, sabendo-se que do seu universo de 229 inspetores, 76 (um terço) recebem o extraordinário vencimento de Euro 854,77”.
O ministério da Economia já negou a existência de lista VIP na ASAE, afirmando que “é absolutamente falsa e desprovida de qualquer fundamento, a notícia que denuncia a existência de uma 'lista VIP' da inspeção económica".