Quem não consegue arranjar casa a preços acessíveis está a procurar alternativas nos parques de campismo, passando a viver em tendas em vez de ter uma casa para habitar. Apesar de a residência permanente não ser permitida neste tipo de espaços, quem não tem alternativa está a ver-se forçado a recorrer a esta situação.
Ao Jornal de Notícias, uma funcionário de um parque de campismo em Braga relatou o caso de uma pessoa que ali viveu durante seis meses, e só saiu quando o parque encerrou para o inverno. “Trabalhava num restaurante e ia e vinha todos os dias. Estava a usar o campismo como casa”, disse, relatando também um outro caso de uma família que “ficou muito tempo” a habitar numa tenda.
A funcionária relata casos de pessoas que “ficam muitos meses seguidos” e que há quem ligue a perguntar “se podem ficar o ano inteiro”. No distrito de Coimbra, uma outra funcionária de um campismo diz que há muita gente que pergunta “se pode colocar um bungalow ou uma mobile home para viver”.
No Algarve, a situação espelha-se com casos de trabalho temporário onde as pessoas “não têm outro local onde ficar”, segundo uma outra funcionária. Em Viana do Castelo a responsável de um campismo confirmou o fenómeno da procura por períodos longos, de pessoas que vão “trabalhar uns meses” na zona. Mas em todos os casos os parques de campismo normalmente têm restrições ao tempo máximo de estadia.
“Há muito tempo que isso acontece, pessoas a viverem em carros, em anexos sem condições, pessoas a viverem em parques de campismo, mais gente a viver nas ruas”, disse ao JN Ana Gago, da associação Habita. E está “cada vez pior”, com uma falta de respostas de habitação que prejudica quem trabalha e não consegue pagar a renda.
“Há pessoas nas listas de espera [para habitação social ou similar] há imenso tempo. Também não conseguem no mercado de arrendamento privado, porque está incomportável”, explicou.