Há amas das creches familiares que estão a ser despedidas

29 de julho 2024 - 16:33

Amas contratadas por IPSS e Misericórdias estão a receber cartas de despedimento para final de julho e de agosto. Para além da situação das profissionais, soma-se o desespero de pais que veem fechar estes serviços e não têm vagas nas creches gratuitas.

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Criança na creche.
Criança. Foto de Paulete Matos.

A Associação dos Profissionais em Regime de Ama, APRA, deu a conhecer que há amas de diferentes zonas que estão a receber cartas de despedimento com a data do final de julho e do final de agosto.

Ao Jornal de Notícias, Luísa Sousa, presidente da instituição, explica que se trata de amas afetas ao regime de creche familiar. Este implica um acordo com Instituições Particulares de Segurança Social e Misericórdias. Ao todo, o setor tem 291 amas contratadas, dando resposta social a 1.113 crianças.

A dirigente associativa diz que estas instituições do setor social “decidiram encerrar porque entenderam que, com cinco ou seis amas, o serviço não seria financeiramente viável e, portanto, não conseguiam mantê-lo. E mesmo existindo a possibilidade de contratarem novas amas que estivessem a sair das formações, as instituições optaram por encerrar”.

A situação, afirma, é de preocupação das amas e de “desespero” de pais que não têm vagas nas creches gratuitas.

As cartas de despedimento seguem-se ao acordo alcançado em fevereiro passado entre Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade e sindicatos sobre os contratos coletivos de trabalho das amas. Aquele órgão de comunicação social não obteve resposta da CNIS sobre o que está a acontecer mas escreve que, por detrás de tudo isto, há uma exigência de aumento de verbas públicas: “a Confederação tem vindo a alertar que muitas IPSS não terão alternativa ao encerramento, por ser impossível cumprir o que é exigido, caso não seja aumentada a comparticipação do Estado”.