Há 25 anos, a Nato começava a bombardear a Jugoslávia

24 de março 2024 - 10:06

Pelo menos 500 civis foram mortos durante a campanha de bombardeamentos que durou 78 dias e acabou com Milosevic a ceder a entrada de forças da Nato no Kosovo e a gestão internacional do território que depois acabou por se tornar independente. Hoje em dia, continuam a existir conflitos na região entre nacionalistas dos dois lados.

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Parque Tašmajdan em Belgrado. Foto de uma escultura de Milica Rakić em homenagem às crianças mortas pelos ataques da Nato. Foto de Andrija1234567/Wikimedia Commons.
Parque Tašmajdan em Belgrado. Foto de uma escultura de Milica Rakić em homenagem às crianças mortas pelos ataques da Nato. Foto de Andrija1234567/Wikimedia Commons.

24 de março de 1999. 20.00 horas. Há 25 anos começava o bombardeamento da Jugoslávia que durou 78 dias. 13 Estados-membros da Nato avançavam para a ação armada. Era a primeira vez que a Nato atacava militarmente um país desde a sua fundação sem mandato do Conselho de Segurança da ONU. Pouco antes, em 1995, tinha bombardeado as forças servo-bósnias na Bósnia-Herzegovina.

Os países do pacto do Atlântico Norte acusavam a República Federal da Jugoslávia, presidida por Slobodan Milosevic, e já apenas constituída por Sérvia e Montenegro, de estar a cometer um genocídio no Kosovo e, pouco antes, tinha-se revelado um alegado “plano Potkova” (Ferradura em língua croata) que seria a base de um projeto de “limpeza étnica” da população albanesa. Só que este era falso, como uma investigação do Der Spiegel mostrava logo em janeiro de 2000.

Kosovo, a última batalha de nacionalismos do fim da Jugoslávia

O Kosovo era então disputado pelo nacionalismo sérvio, que olha para a região como o berço da nacionalidade, e pelo nacionalismo albanês com base em 90% da população ser albanesa étnica.

Desde meados dos anos noventa, o UÇK, Exército de Libertação do Kosovo, tinha começado a atacar. E, em 1998-99, a situação evolui para uma guerra.

Em 15 de janeiro de 1999, 45 albaneses são encontrados mortos numa vala comum. Para o UÇK e para os seus aliados ocidentais essa é uma prova de um massacre de civis que passou a ser conhecido como o “massacre de Racak”. Para as forças jugoslavas, o UÇK vestiu de civis militares seus mortos em combate.

O massacre torna-se justificação central para os bombardeamentos depois de falhadas as conversações de paz. No final, os sérvios acabam por assinar um acordo que faz com que uma força militar da Nato, a KFOR, se instale e o território passa a ser administrado por uma missão da ONU, a UNMIK. Era suposto o Kosovo permanecer parte da Sérvia mas com autonomia. Mas, em 2008, é declarada a independência. Desta feita, são os sérvios a queixarem-se de limpeza étnica.

Pelo caminho, segundo a Human Rights Watch, os bombardeamentos da Nato mataram 500 civis. Segundo o governo jugoslavo teriam sido entre 1.200 a 2.500 mortos e 5.000 feridos. Milosevic acabou os seus dias no Tribunal Penal Internacional. O UÇK acabou por ser dissolvido mas ficou provado que cometeu vários crimes de guerra, que conduziu limpezas étnicas contra sérvios e ciganos, que era uma plataforma de tráfico de órgãos e de droga. O Kosovo continua a ser palco de conflitos étnicos.

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