"Tenho visto muitos desastres humanitários em todo o mundo, mas nunca vi uma carnificina climática desta magnitude. Simplesmente não tenho palavras para descrever o que vi hoje", disse o secretário-geral da ONU durante uma conferência de imprensa na cidade portuária de Karachi, no Paquistão.
Durante a sua visita aos locais afetados pelas cheias, Guterrres disse ter ficado sensibilizado pela generosidade e entreajuda das pessoas que "abriram as portas das suas casas e partilharam o que tinham".
As cheias e inundações agravadas pelas fortes monções e o derretimento dos glaciares das montanhas no norte do país deixaram um terço do território debaixo de água e fizeram cerca de 1.400 mortos e muitos milhões de pessoas desalojadas.
I have never seen climate carnage on the scale of the floods here in Pakistan.
As our planet continues to warm, all countries will increasingly suffer losses and damage from climate beyond their capacity to adapt.
This is a global crisis. It demands a global response. pic.twitter.com/5nqcJIMoIA
— António Guterres (@antonioguterres) September 10, 2022
Para Guterres, "o Paquistão precisa de apoio financeiro massivo para superar esta crise; isto não é uma questão de generosidade, é uma questão de justiça", afirmou o secretario-geral da ONU, apelando a que "aqueles que têm a capacidade de apoiar o Paquistão, façam-no agora e façam-no de forma massiva".
"A Humanidade tem estado em guerra contra a natureza e a natureza contra-ataca", afirmou Guterres, que se tem distinguido no seu mandato pelas críticas à inação dos líderes políticos no combate às alterações climáticas.
O Paquistão é responsável por 0,4% das emissões com efeitos nocivos para o ambiente, mas é ao mesmo tempo um dos países que mais sofre com os efeitos das alterações climáticas. Para António Guterres, "o Paquistão e outros países em desenvolvimento estão a pagar um preço horrível pela intransigência dos grandes poluidores que continuam a apostar nos combustíveis fósseis". O secretário-geral da ONU voltou a apelar para que "parem a loucura e invistam agora em energias renováveis".