Guerra na Líbia: conversações entre Rússia e Turquia adiadas

14 de junho 2020 - 14:24

Estes dois países são o sustentáculo das forças que arrastam a guerra civil na Líbia. A ofensiva de Haftar, apoiado pela Rússia, colapsou. A ONU diz que há campas em massa numa das cidades que ocupava.

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Forças do Governo de Acordo Nacional pousam para a foto em Tarhouna. Foto de EPA/STR/Lusa.
Forças do Governo de Acordo Nacional pousam para a foto em Tarhouna. Foto de EPA/STR/Lusa.

As conversações entre Rússia e Turquia foram anunciadas para este domingo. O assunto mais urgente em cima da mesa era a guerra na Líbia onde as duas potências se enfrentam por interpostos aliados. A questão da Síria que também os coloca em lados diferentes da barricada estava igualmente na ordem do dia.

Sem grandes explicações, os ministros dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, e russo, Sergei Lavrov, decidiram adiar o encontro que deveria ocorrer em Istambul. Enquanto as partes beligerantes não chegaram ainda a um cessar-fogo, as potências por detrás delas dizem que o tão propagandeado encontro ao nível ministerial fica para mais tarde.

Estas conversações surgem numa altura em que a relação de forças na guerra na Líbia mudou. A grande ofensiva de 14 meses, empreendida pelo general Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional Líbio, apoiado pela Rússia, Emirados Árabes Unidos e Egito, contra a capital Tripoli, governada pelo Governo de Acordo Nacional, internacionalmente reconhecido e apoiado pela Turquia, colapsou e as forças que tinham estado ao ataque foram recebendo sucessivos golpes e recuando no terreno.

Tarhouna foi uma das cidades que abandonaram. Quando foi recapturada pelo GAN, na passada quinta-feira, a missão das Nações Unidas no país disse-se “horrorizada” com a descoberta de campas em massa, apelando a “investigações rápidas, eficazes e transparentes”. Também António Guterres, Secretário-Geral da organização se confessou chocado.

Não foram divulgados quantos corpos estavam nas, pelo menos oito, sepulturas encontradas. As novas forças ocupantes dizem que também encontraram dezenas de corpos na morgue da cidade. A Human Rights Watch da Líbia apela a investigações internacionais feitas por peritos independentes. A Amnistia Internacional pediu para entrar na cidade para “recolher provas de potenciais crimes de guerra e outras atrocidades”. Esta cidade, a cerca de 65 quilómetros da capital, não estava sob controlo direto de Haftar mas de um grupo seu aliado, dominado pela famíla Kani.

A guerra na Líbia dura desde 2011. A nova linha da frente é a cidade costeira de Sirte. Uma derrota de Haftar aí proporcionaria uma via aberta para o controlo dos campos petrolíferos que são uma das fontes do seu poder.