GUE/NGL quer cimeira extraordinária sobre refugiados

02 de março 2020 - 18:22

O grupo parlamentar da esquerda europeia condena a violência das autoridades gregas e apela à partilha da responsabilidade dos países europeus no acolhimento das pessoas que estão a chegar à Europa.

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Foto Mario Fornasari/Flickr

Em comunicado, os co-presidentes do grupo confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL, onde se sentam eurodeputados do Bloco e PCP) apelam aos líderes europeus e ao governo grego para “pararem imediatamente qualquer violência e fazerem respeitar todas as leis europeias e nacionais que garantem o acesso e trâmites legais às novas chegadas” de migrantes e refugiados vindos da fronteira turca.

Manon Aubry e Martin Schirdewan anunciaram que o GUE/NGL quer que os estados-membros se reunam em breve numa cimeira extraordinária para “assumirem as suas responsabilidades e encontrarem soluções fundadas nos direitos humanos”.

A declaração surge na sequência da abertura de fronteiras por parte do governo turco, que colocou dezenas de milhares de pessoas a caminho da União Europeia através da Grécia e da Bulgária. Foi essa a forma do presidente Erdogan protestar contra a falta de apoio europeu à sua incursão militar na Síria para impedir o avanço das tropas de Assad contra os últimos redutos controlados por milícias islamistas e a oposição ao governo sírio.

Para os líderes do GUE/NGL, “tal como em 2017/2016, não se pode ficar à espera que a Grécia resolva sozinha a situação, nem este é um assunto bilateral etre a Grécia e a Turquia”. Pelo contrário, defendem eles, trata-se de uma “responsabilidade europeia”, ainda mais urgente dada “a ameaça do populismo de extrema-direita, xenofobia e racismo” em crescimento na Europa.

O GUE/NGL vai levar o assunto a discussão no próximo plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo, com uma resolução a “condenar a política de Erdogan ao usar as pessoas para chantagear a UE” e a sublinhar a urgência da “solidariedade com os países que veem aumentar o número de refugiados e imigrantes”.