Gronelândia perde 30 milhões de toneladas de gelo por hora

19 de janeiro 2024 - 20:38

Estudo da NASA diz que o manto de gelo da Gronelândia diminui a um ritmo 20% superior ao que se previa. Impacto para as correntes no Atlântico terá consequências para os padrões climáticos globais.

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Fiorde no norte de Upernavik
Fiorde no norte de Upernavik. Foto David Stanley/Flickr.

O estudo publicado na revista Nature afirma que quase todos os glaciares da Gronelândia diminuíram ou recuaram ao longo das últimas décadas muito mais do que se pensava até agora. "A perda de massa que relatamos teve um impacto direto mínimo no nível global do mar, mas é suficiente para afetar a circulação oceânica e a distribuição da energia térmica em todo", afirma o resumo deste estudo dirigido por Chad Greene, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

"As mudanças na Gronelândia são tremendas e estão a acontecer em todo o lado - quase todos os glaciares recuaram nas últimas décadas", afirmou Chad Green, citado pelo Guardian. O estudo usou imagens de satélite para determinar a posição de cada glaciar mensalmente entre 1985 e 2022, detetando a perda de cerca de um bilião de toneladas de gelo nesse período, o que corresponde a 30 milhões de toneladas por hora, uma área que corresponde ao dobro do território do Luxemburgo.

O impacto desta perda de gelo vai fazer-se sentir em especial no enfraquecimento da Circulação Meridional do Atlântico, que move a água de Norte a Sul e traz calor à Europa. Um efeito que terá consequências para o Reino Unido e na Europa Ocidental, mas também em partes da América do Norte e na região do Sahel.

"Se esta fonte anteriormente não contabilizada de água doce é suficiente para fazer a diferença, depende de quão perto estamos do ponto de viragem do giro subpolar. Modelos recentes sugerem que poderá já estar próximo com o atual nível de aquecimento global", afirmou ao Guardian Tim Lenton, da Universidade de Exeter.