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Greve no Minipreço, dezenas de lojas fechadas

Dezenas de lojas do DIA Portugal fecharam esta quinta-feira. A Comissão de Trabalhadores denuncia os baixos salários, os “despedimentos encapotados” e a precarização por parte de um grupo económico apostado em externalizar serviços.
Minipreço fechado em dia de greve. 31 de dezembro de 2020.
Minipreço fechado em dia de greve. 31 de dezembro de 2020.

Esta quinta-feira foi dia de greve dos trabalhadores do grupo DIA Portugal, empresa que detém os supermercados Minipreço e as lojas Clarel. Segundo a Comissão de Trabalhadores, um pouco por todo o país, “várias dezenas” de estabelecimentos fecharam devido à forte adesão, outras funcionaram “com horário muito reduzido” e a empresa pressionou trabalhadores em folga para irem trabalhar.

A iniciativa foi convocada pelo CESP, Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal que, em comunicado, justificou esta forma de luta devido aos baixos salários: “em 2021, uma grande percentagem de trabalhadores da empresa serão engolidos pelo salário mínimo nacional, e uma percentagem ainda maior ficarão cinco a quinze euros acima do mesmo”. São trabalhadores “que em muitos casos têm uma carreira superior a dez anos” e que veem “o seu trabalho ignorado e desprezado”.

No mesmo documento pode ler-se que os trabalhadores consideram “ofensiva e insultuosa” a comunicação do presidente executivo da empresa de que se respeita o bem-estar dos trabalhadores numa empresa que “insiste em não respeitar o direito à parentalidade e à conciliação da vida profissional e familiar”. Como exemplos citam a recusa ao direito ao horário flexível para trabalhadores com filhos menores de 12 anos ou a tentativa de obrigar os trabalhadores dos armazéns a abdicar do dia de descanso obrigatório.

Criticam ainda que os administradores sem vangloriem do crescimento “a quem tornou esses números possíveis tendo apenas “recompensa” de salários de miséria, discriminação salarial, horários desregulados e desvalorização profissional.” Os trabalhadores do Minipreço empobrecem a trabalhar, dizem.

Outsourcing, frenchizar: sinónimos de despedimento “encapotados” e de precarização

Em declarações ao Esquerda.net, Paulo Borba, da Comissão de Trabalhadores do DIA Portugal, que também se juntou à jornada de luta, acrescenta mais razões. A acusa a empresa de estar a fazer “um despedimento encapotado, levando as pessoas a pedir demissão por justa causa ou a chegar a acordos em que no final do documento acaba por dizer que é por extinção do posto de trabalho”.

Segundo o responsável por esta estrutura representativa dos trabalhadores, “a empresa tem negado sempre estar num processo de reestruturação dizendo apenas que estão num processo de transformação”. Contudo, tem havido outsourcing de setores estratégicos como por exemplo a linha de atendimento ao cliente. “No final do mês que passou os trabalhadores foram chamados para uma reunião onde foram informados da extinção dessa linha que iria passar para a Reditus”, conta.

E ilustra ainda o método seguido para fazer o frenchising de algumas lojas: encerra-se primeiro, depois tenta-se chegar a acordo com trabalhadores para vender a loja já sem trabalhadores para colocar lá trabalhadores mais precários. “Chamam a isso “terceirização” diz Paulo Borba: há “trabalhadores transferidos para lojas algumas a mais de cem quilómetros, o que acaba por obrigar de certa forma os trabalhadores a ir embora”.

As lutas dos trabalhadores continuam essenciais”

O Bloco marcou presença neste dia de luta através da deputada Isabel Pires, que esteve presente num piquete de greve no centro de Almada. Aí sublinhou que “num ano que agora termina tão complicado, e com a perspetiva de um ano que continuará com desafios, as condições de trabalho em Portugal continuam a deixar muito a desejar e as lutas dos trabalhadores continuam essenciais”.

Estive hoje de manhã num piquete de greve organizado pela comissão de trabalhadores do Minipreço/Dia. A greve convocada...

Publicado por Isabel Pires em Quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

 

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