"Em Lisboa, dos 25 enfermeiros escalados para os turnos, apenas 13 compareceram ao trabalho e no Porto, dos 23 existentes, ficaram só oito", indicou Márcia Silva, da comissão informal de trabalhadores da Linha Saúde 24.
Estes enfermeiros que prestam apoio telefónico à população estão em greve até domingo contra a atitude da administração da empresa concessionária, ligada à Caixa Seguros. Os administradores vieram dizer que a qualidade do serviço está assegurada, mesmo após terem despedido cem enfermeiros, que trabalham a falso recibo verde, quando estes se recusaram a aceitar cortes nos salários e horas noturnas, fins de semana e feriados.
"Estamos no pico do período da gripe e hoje está a verificar-se um tempo médio de espera entre 10 a 12 minutos. A fila de espera de chamadas no atendimento é de 40 pessoas”, declarou Márcia Silva. Uma reportagem da RTP sobre a situação na empresa confirmou as denúncias dos enfermeiros, ao mostrar esta sexta-feira um relatório do número de chamadas recebidas na Linha Saúde 24, indicando a existência de quase 1200 chamadas perdidas. “A qualidade está mantida quando tantos utentes são deixados sem resposta e obrigados a recorrer a urgências sobrelotadas?”, perguntam os enfermeiros na sua página de apoio a esta luta.
Ante a inflexibilidade da administração, os trabalhadores continuam a apelar à solidariedade de enfermeiros e utentes da linha, tendo marcado uma concentração de apoio para este sábado às 15h30 em frente à sede da empresa em Lisboa, na Avenida das Forças Armadas, 125.