Enfermeiros da Linha Saúde 24 fazem protesto no Parlamento

24 de janeiro 2014 - 17:25

Denunciam mais de cem despedimentos em retaliação aos trabalhadores que se recusam a aceitar o rebaixamento de salários e a precariedade de trabalho. Maioria da direita lava as mãos dizendo que se trata apenas de um conflito laboral numa empresa privada. Comissão convoca nova greve.

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À porta da AR, enfermeiros voltaram a fazer o protesto. Foto dos Precários Inflexíveis

Enfermeiros da Linha Saúde 24 fizeram na manhã desta sexta-feira um protesto nas galerias da Assembleia da República, afixando pensos vermelhos na boca, para simbolizar o silêncio cúmplice do ministro Paulo Macedo no conflito que os opõem à LCS, empresa privada a quem foi concessionado o serviço do Ministério da Saúde.

Mais de cem trabalhadores foram já despedidos pela empresa por não aceitarem uma redução dos seus salários e por ousarem lutar contra os falsos recibos verdes a que a LCS os obriga.

O protesto ocorreu no final no debate em que o Bloco de Esquerda e o PCP apresentaram projetos de resolução a recomendar ao governo que seja regularizada a situação contratual dos enfermeiros da Linha Saúde 24, com a celebração de contratos de trabalho e a preservação da qualidade do serviço. A deputada Helena Pinto criticou a opção do governo de não contratar diretamente os trabalhadores da Linha Saúde 24, optando por entregar a gestão deste serviço a uma entidade privada. Ainda assim, sublinhou Helena Pinto, o governo não pode ficar alheio ao que se passa.

Não lhes interessa as condições em que está a trabalhar?”

“O governo não pode olhar para o lado e dizer ‘isso é com a empresa’. Aquele serviço é fundamental, sobretudo nesta época. Estamos no Inverno, vai chegar o pico da gripe. O que é que dizem o ministro da Saúde e o diretor-geral da Saúde quando vão à televisão? Telefonem para a Linha Saúde 24. E quem é que está do outro lado da linha a atender? Não lhes interessa as condições em que está a trabalhar?”, questionou a deputada.

A maioria PSD/CDS-PP descartou quaisquer culpas do Ministro da Saúde, dizendo que esse conflito laboral é apenas entre os trabalhadores e a empresa, afirmando que os enfermeiros são simples prestadores de serviços e não trabalhadores da empresa; os deputados do PSD e do CDS foram totalmente indiferentes aos despedimentos sumários realizados no pico da época das gripes, pondo em causa o serviço.

Nova greve

Em comunicado distribuído no início da tarde desta sexta-feira, a comissão informal de trabalhadores anunciou uma nova greve da Linha de Saúde 24, “Nos call centers em Lisboa e no Porto, as enfermeiras e enfermeiros que há anos asseguram o serviço são obrigados a parar perante uma empresa que contrata sem lei, despede sem lei e que destrói a linha, ignorando a importância deste serviço para a população”. Os trabalhadores explicam que decidiram recorrer a uma nova paralisação porque “a Linha Saúde 24 tem de ser salva da sua administração”.

O comunicado denuncia ainda que “os despedimentos fora-da-lei de mais de uma centena de trabalhadores constituem um ataque aberto à democracia, ao direito à expressão e à organização, e são a expressão máxima do comportamento de uma empresa que serve apenas o seu próprio interesse, ignorando a Saúde, o serviço público, a lei, os utentes e as pessoas que trabalham na linha”.