Os trabalhadores do setor da hotelaria da Madeira entram nesta quarta-feira no seu terceiro e último dia de greve. Lutam por um aumento salarial mínimo de 75 euros, considerando a proposta da Mesa da Hotelaria da Associação Comercial e Industrial do Funchal, a organização que federa os patrões locais, como “vergonhosa e escandalosa”.
Adolfo Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria da Madeira, tinha explicado à Lusa no início deste processo de luta que “aquilo que os patrões vão oferecer a partir de janeiro – 53 euros de aumento – significa que uma grande maioria dos trabalhadores passará a receber o salário mínimo regional [estipulado em 915 euros a partir de 01 janeiro]”. Ou seja, o que os patrões apresentam positivamente como um aumento de 5,5%, acima do valor da inflação, não tem impacto para perto de 3.000 trabalhadores. E o valor do aumento fica até abaixo do aumento do salário mínimo regional que é de 65 euros.
O dirigente sindical tinha dito então que os trabalhadores foram obrigados a recorrer à greve “para que as empresas, de alguma forma, dignifiquem estes trabalhadores” e manifestou disponibilidade para negociar “mas não a esmola que eles querem dar aos trabalhadores. Os trabalhadores não são pobres a pedir esmola. Trabalham, enriquecem as empresas e precisam de ser valorizados”.
Nessa ocasião, vincou ainda que a Madeira foi a região portuguesa que teve maior crescimento no turismo em 2024, quer em termos de entrada de entrada de turistas quer em termos de aumento de receitas, mas que o patronato continua a com uma proposta de aumentos que é “inaceitável”.
Em declarações à RTP, o mesmo sindicalista denunciou que a greve foi recebida pelos diretores dos hotéis com um clima de intimidação, com “subornos”, ou seja com patrões a pagar bónus e prémios para os trabalhadores não fazerem greve e a ameaçar os trabalhadores jovens e mais precários na tentativa de os dissuadir de fazer greve.
Adolfo Freitas explicou que “trabalhadores que nunca tiveram bónus nem gratificações na vida vão ter se não fizerem greve” e “com a ameaça que se fizessem greve não os voltariam a receber”. Sobre os precários em concreto disse haver “ameaças” e “represálias”. Isto para além dos patrões estarem a usar trabalhadores migrantes como “mão de obra barata”, trabalhando “dez e 12 horas por dia”, “trabalham dias de descanso”, é-lhes mudado o horários e dias de descanso “como bem quer” o patronato devido à sua situação.