Greve: "Não haverá nenhum professor a assumir a realização dos exames"

17 de junho 2013 - 0:46

A greve aos exames nacionais, que junta oito estruturas representativas dos professores, começa esta segunda-feira. Os professores acusam o ministério de Nuno Crato de querer promover um despedimento em larga escala e recusam o aumento da carga laboral e a mobilidade geográfica.

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Foto de Paulete Matos

Após semanas de negociações e ausência de cedências por parte do Governo, os professores decidiram manter a convocação da greve aos exames nacionais do 12º ano de Português e Latim, provas que o Ministério da Educação e Ciência recusou reagendar, incluindo para dia 20, como sugerido pelo colégio arbitral, que recusou a fixação de serviços mínimos.

Recorde-se que os sindicatos garantiram publicamente que não fariam greve nem a 20 de junho nem a outras datas de exames nacionais

Em resposta, o ministério de Nuno Crato decidiu convocar todos os professores para tentar destabilizar a greve e assegurar a realização dos exames.

Os exames desta segunda-feira têm início marcado para as 09:30 (Português) e para as 14:00 (Latim).

Os professores começaram por fazer uma greve ao serviço de avaliações, confluindo posteriormente numa paralisação geral aos exames para contestar o regime de requalificação profissional e a mobilidade geográfica proposta pelo Governo, bem como o aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.

Os sindicatos denunciam que estas medidas governativas provocarão um despedimento de professores do quadro e contratados em larga escala.

Sindicatos afirmam que greve terá grande participação

O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva, em declarações à à Lusa, no passado fim-de-semana, assegurou que as informações recolhidas junto de “múltiplas escolas” confirmam que “não haverá nenhum professor a assumir a realização dos exames”.

Já Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, sublinhou que os professores “têm todos os motivos” para manter as greves, aos exames e às avaliações.

Sobre os efeitos da greve nos exames nacionais, nos alunos e famílias, Nogueira garantiu estar “de consciência tranquila”.

“Fizemos tudo, inclusivamente dissemos que se houvesse mudança de data como o colégio arbitral sugeriu ao Ministério da Educação e Ciência, nós não iríamos transferir esta greve. A greve é no dia 17. Apresentámos propostas e manifestámos disponibilidade para negociar. Se alguém tinha dúvidas sobre quem está a utilizar os estudantes como reféns, hoje, não há dúvidas: chama-se Ministério da Educação e Ciência e tem rosto”, afirmou.

Num momento raro de união sindical no setor da educação, oito estruturas anunciaram em maio e em conjunto uma greve para 17 de junho e outra às avaliações, até dia 14, alargada mais tarde até dia 21, com a possibilidade de se prolongar até 28.

A FNE confirmou dias depois a sua adesão às greves, contra a aplicação a toda a função pública das novas regras laborais, que passam por um regime de mobilidade especial e pela alteração do horário de trabalho das 35 para as 40 horas semanais.