Nesta quinta-feria, vive-se uma nova jornada nacional de luta em França, convocada por sete centrais sindicais (CGT, CFDT, CFTC, CFE-CGC, UNSA, FSU e Solidaires), com greves e pelo menos 200 manifestações em todo o país, contra o aumento da idade de reforma.
Esta luta contra o governo Sarkozy, prolonga-se há meses, e já deu lugar a duas grandes jornadas nacionais de luta, a 24 de Junho e 7 de Setembro, com as maiores manifestações e paralisações dos últimos anos. No início deste mês mobilizaram-se 2,7 milhões de pessoas, segundo os sindicatos, em 190 manifestações em todo o país. Em Paris, a manifestação teve 270 mil pessoas.
A contestação visa a reforma no sistema de pensões do Presidente Nicolas Sarkozy, que prevê adiar a idade legal das aposentações dos trabalhadores franceses dos 60 para os 62 anos, por um lado, e de 65 para 67 para os que, não tendo descontado durante um número de anos suficiente queiram reformar-se com direito à pensão máxima.
Ainda não se sabendo números concretos, há sinais de que as mobilizações e as greves estão a ser bastante participadas. Já há milhares de pessoas na rua, em várias cidades.
Apontando as sondagens, 70% da população francesa está contra este aumento da idade das reformas, e por isso espera-se que os deste dia 23 de Setembro possam ser ainda maiores, do que do passado dia 7. As várias centrais sindicais já fizeram declarações dizendo que os protestos serão pelo menos tão intensos como os de há duas semanas.
Em Portugal, 10 dos 23 voos programados entre Portugal e França foram cancelados pela TAP, na sequência do pedido das autoridades franceses por causa da greve geral.
Em França, o sector dos transportes está a meio gás: o metro de Paris funciona, mas com menos frequência e a linha de comboios suburbanos foi mais afectada; do aeroporto de Orly só vão sair metade dos voos e do Charles de Gaule uns 40 por cento. Os números nas restantes cidades são idênticos.
Também as escolas, os hospitais e outros serviços públicos, como os correios, estão quase bloqueados, adianta a imprensa.
Sarkozy vive o seu pior momento de popularidade, mas assegura que o adiamento da idade da reforma “não se negoceia”.
O jornal “Libération” publica esta quinta-feira uma sondagem que traduz uma inquietação geral da população activa, “um sentimento de precarização das referências económicas e sociais”. Este “sentimento”, continua o jornal, afecta não só as pessoas com vidas mais difíceis mas uma parte grande da “população com idade de ter uma vida profissional”.
De acordo com esta sondagem, realizada pelo instituto Viavoice, 63,4 por cento dos inquiridos colocam-se “ao lado dos grevistas e dos manifestantes”, um apoio que sobe muito entre os jovens (80,3 por cento entre os que têm 18 a 24 anos e 73,1 por cento para os dos 25 aos 34), mas que se mantém junto dos inquiridos dos 35 aos 64 anos, que apoiam maioritariamente a mobilização.