A sessão parlamentar sobre o aumento da idade da reforma acabou com gritos de "golpista" e "fascista", numa perseguição nos corredores ao presidente da Assembleia, Bernard Accoyer, que tomou a iniciativa de não dar a palavra aos deputados da oposição inscritos, acusando-os de obstruírem o debate por usarem o direito regimental de falarem cinco minutos cada um. Se toda a bancada socialista tomasse a palavra, justificou o presidente, o debate duraria mais 11 horas.
Um dos alvos da oposição no debate foi o ministro do Trabalho Eric Woerth, cuja credibilidade aparenta estar irremediavelmente abalada pelo escândalo do financiamento ilegal da UMP e da candidatura de Sarkozy com origem na milionária Bettencourt. A troca de insultos entre Woerth e deputados da oposição aqueceu o debate e inflamou os ânimos na Assembleia.
Alguns milhares de pessoas manifestaram-se em frente ao parlamento, pedindo aos deputados que não votassem a lei. O protesto foi convocado pelas centrais sindicais CGT, FO, CFTC e SUD. Na votação, a proposta de aumentar a idade da reforma dos 60 para os 62 anos foi aprovada por 329 votos a favor e 233 contra. O projecto da maioria de direita ainda será submetido à apreciação do Senado.
No início do mês, 2,7 milhões de pessoas saíram à rua contra o aumento da idade da reforma em 190 manifestações em todo o país. Segundo os sindicatos, tratou-se da maior mobilização dos últimos anos, superior à greve de 24 de Junho e até aos protestos de 1995 contra o plano Juppé para reformar a segurança social.