Greve geral feminista no País Basco na quinta-feira

29 de novembro 2023 - 18:16

Organizadoras reivindicam um novo modelo de cuidados, público e de qualidade, e destacam que se trata de um sector "feminizado, precarizado e racializado".

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Manifestação feminista em Iruña. 08 de março de 2018. Foto ekinklik/wikicommons.

"Vamos visibilizar o trabalho de todas essas mulheres invisíveis", explica Cándida Rivas, uma mulher latino-americana que trabalha no âmbito dos cuidados em Donostia-San Sebastián, citada pelo El Diario. Essas que "não se veem mas estão" costumam ser migrantes que trabalham no setor dos cuidados como internas, sem documentos e sem direitos.

A greve feminista do 30N nasceu durante a crise pandémica: "Foi em plena pandemia quando se valorizou o grande risco de que a covid pudesse acelerar a crise de cuidados", refere Maddi Arrieta, integrante do movimento feminista do País Basco.

A convocatória desta greve a 30 de novembro bebe das experiências das greves de 8 de março de 2018 e 2018, que tiveram mobilizações em massa do movimento feminista do País Basco.

Mafalda Brilhante

Por uma política de cuidados

07 de novembro 2023

Os sindicatos ELA, LAB, Steilas, ESK, EHNE, Etxalde e CGT trataram dos trâmites legais para operacionalizar a greve no País Basco e Navarra. Em Iparralde, o País Basco francês, também existirão diferentes mobilizações.

"A maioria sindical basca acompanha-nos, desde o primeiro momento, neste processo de organização da greve geral", afirma Arrieta, que destaca que ao longo desta jornada procurar-se-á, principalmente, "desnormalizar a quotidianidade".

"Existirão ações desde o minuto um em bairros, povoações, cidades e centros de trabalho", avança a ativista. Em Bilbau, por exemplo, os piquetes far-se-ão sentir a partir de 7h30 da manhã em diferentes pontos da cidade. Para as 10h15, está marcada uma concentração na Gran Via, seguida de uma cacerolada .A mobilização central da manhã será às 12h em frente da autarquia, enquanto pela tarde terá lugar uma manifestação a partir do Sagrado Coração. É deixado um convite às mulheres para utilizarem lenços de cor laranja que permitam dar visibilidade ao protesto.

O movimento feminista aponta que muitas mulheres enfrentam constrangimentos para aderir à jornada: "Nem todas as mulheres têm reconhecido o direito à greve, e devemos dar visibilidade a todas as que não podem parar", assinalam as promotoras da iniciativa.

A greve geral visa reivindicar, nomeadamente, que as instituições públicas garantam “serviços de cuidados de qualidade", já que os mesmos "não podem ser um negócio". Assinalando que "grande parte dos cuidados recaem sobre trabalhadoras de lar internas", as organizadoras desta paralisação defendem que "urge derrogar a lei de estrangeiros, regularizar a sua situação laboral, erradicar o regime interno e reconhecer todos os seus direitos".

O apelo à greve geral aponta também para outros fatores que contribuem para que o setor dos cuidados seja “feminizado, precarizado e injusto”: "Devemos reorganizar o mundo laboral para que todos e todas possamos cuidar. A comunidade e os vínculos comunitários são imprescindíveis para garantir o cuidado".