Esta quarta-feira foi dia de greve na Grécia. A Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, GSEE, a maior força sindical do país que junta 83 sindicatos setoriais e representa cerca de 2,5 milhões de trabalhadores, convocou uma paralisação de 24 horas. O impacto foi maior nos transportes públicos, como o metro, elétricos, autocarros e comboios, com muitos dos serviços a serem anulados. A Federação Pan-Helénica dos Marinheiros, PNO, também participou, pelo que ferries e barcos ficaram totalmente parados por todo o país.
Ao início, a paralisação era vocacionada sobretudo para os trabalhadores do privado. Outros sindicatos juntaram-se e também trabalhadores de alguns setores da Função Pública acabaram por fazer greve. É o caso dos trabalhadores dos parques públicos e dos médicos hospitalares. Estes criticam “a redução de efetivos em benefício da privatização dos serviços de saúde”.
Os grevistas defendem um aumento salarial face à inflação, a restauração dos acordos coletivos de trabalho e a revogação das leis anti-laborais aprovadas sob a pressão da troika. A GSEE adotou os motes “queremos aumentos reais dos salários, o regresso dos nossos acordos coletivos e queremo-los já” e “não conseguimos viver com dignidade”.
Denunciam que se vive ainda pior do que durante o período da anterior crise económica. O aumento de 6,4% do salário mínimo, para os 830 euros, não chega por causa do aumento do custo de vida e a confederação sindical diz que “o aumento no salário mínimo não está na linha de pobreza, é pobreza mesmo”. Apela-se ainda a um congelamento de preços de bens essenciais durante um ano para que haja “aumentos reais” dos salários.
O dirigente do GSEE, Yiannis Panagopoulos, em conferência de imprensa, explicou que “durante os resgates [da troika] disseram-nos que as medidas apenas durariam alguns anos até a Grécia se voltar a erguer. Não é o que está a acontecer. Restaurar as leis laborais, os direitos coletivos e individuais nem custa nada. E dá-nos as ferramentas para procurar obter salários justos”.
Os sindicalistas alegam ainda que o direito à greve e à negociação coletiva estão protegidos na Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia.
Para além da greve, houve várias manifestações e ações no centro de Atenas, nas praças Klafthmonos e Syntagma, e em Tessalónica. Os trabalhadores do setor da distribuição fizeram um desfile de protesto pela capital grega.
Esta greve segue-se a uma outra, ocorrida na véspera, na qual os jornalistas gregos protestaram contra a recusa a recusa dos patrões dos meios de comunicação social privados de assinarem um acordo coletivo de trabalho, mantendo os salários muito baixos. A greve dos jornalistas foi marcada para um dia antes com o objetivo explícito de poder haver cobertura noticiosa da greve desta quarta-feira.
O governo conservador de Kyriakos Mitsotakis tem vindo a tentar desregular o mercado de trabalho por completo e em fevereiro do ano passado apresentou uma lei laboral que permite que trabalhadores a tempo inteiro possam vir a ter um segundo emprego até 13 horas de trabalho por dia e 78 semanais, que os patrões de vários setores implementem uma semana de trabalho de seis dias “em condições excecionais” e alterem horários de trabalho para os adaptar “às necessidades da produção”, que um trabalhador possa ser despedido durante o primeiro ano de contrato sem aviso nem ter lugar a qualquer pagamento compensatório e que quem “obstrua” trabalhadores de trabalhar durante uma greve seja multado e possa ser preso durante seis meses.