Os pilotos da TAP estarão em greve neste sábado, 9 de agosto, entre as 0 horas e as 23.59h, em protesto contra o agravamento das condições de trabalho e exigindo que a tutela governamental receba os sindicatos para debater a situação na empresa.
Em declarações à agência Lusa nesta sexta-feira, o presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), Jaime Prieto, afirmou: “Quero deixar claro que estamos a fazer isto [greve] por uma TAP sólida e lamentamos afetar os nossos passageiros, mas compreendam que em função do que tem vindo a acontecer não nos restava outra opção”.
“Lamentamos o impacto que vai ter nas suas vidas e esperamos que o resultado desta ação seja uma nova postura para uma TAP viável e sem verões como este a que assistimos, que é vergonhoso em toda a linha”, acrescentou Jaime Prieto à Lusa.
O tribunal arbitral do conselho económico e social impôs como serviços mínimos a realização dos voos de regresso a Portugal e onze voos de ligação a países lusófonos ou com grandes comunidades emigrantes.
“Há uma decisão do Governo que está por detrás de tudo o que está a acontecer na TAP, que é a decisão de a privatizar”, considera a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins
O SPAC considera estes serviços mínimos excessivos, tendo Jaime Prieto declarado: “Com este tipo de serviços mínimos, degrada-se o efeito prático da mesma [greve], na medida em que pode até ser pernicioso para futuras situações em que se possa considerar que o direito à greve está a ser condicionado por este tipo de decisões”.
Entre 1 de junho e 30 de julho, a TAP cancelou 468 voos, equivalente a 2,3% de cancelamentos.
Os pilotos acusam a administração da TAP de deixar sair os seus quadros ao mesmo tempo que contrata companhias externas que não asseguram a qualidade do serviço prestado pela TAP.
"Há 5 anos que a empresa tem apresentado resultados positivos mas as condições de trabalho têm-se agravado, o que leva a um grande descontentamento dos trabalhadores", declarou o presidente do SPAC em julho passado, quando foi convocada a greve deste sábado.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou em 26 de julho passado que “há uma decisão do Governo que está por detrás de tudo o que está a acontecer na TAP, que é a decisão de a privatizar”.
“Em vez de haver uma estratégia para uma companhia aérea pública que defenda os interesses do país, tem havido uma estratégia para a tornar privatizável, o que só enfraquece a TAP e cria os problemas que temos visto”, declarou então a coordenadora do Bloco à comunicação social.
Greve dos trabalhadores de bares do aeroporto de Lisboa
Está também a decorrer uma greve dos trabalhadores da Unitrato - Restaurantes e Bares do Aeroporto de Lisboa que começou às 22.30h desta quinta-feira, 7 de agosto, e decorre até às 22.30 deste sábado, 9 de agosto. A greve foi convocada pelo sindicato dos trabalhadores na indústria de hotelaria, turismo, restaurantes e similares do sul e abrange os trabalhadores do restaurante e de oito outros estabelecimentos comerciais, como cafés e bares, da Unitrato, onde trabalham cerca de 80 pessoas.
Em declarações à Lusa, o dirigente sindical António Barbosa declarou: "[A greve] deve-se ao facto de nos terem alterado as escalas, de nos estarem a impor novas escalas, novos horários e alteração das folgas. Sem contar com o aumento salarial que não foi de acordo com o que os trabalhadores esperavam. Os trabalhadores estão indignados com a situação, porque lhes vai alterar ritmos de vida e a situação familiar".