Greve deixa Lisboa sem recolha de lixo na semana das festas populares

25 de maio 2013 - 13:57

Os trabalhadores dos serviços de limpeza urbana da cidade de Lisboa, que incluem a recolha de lixo, e de tratamento de resíduos sólidos, agendaram uma paralisação para a semana de 10 a 16 de junho, durante a qual se celebra o dia de Santo António. Esta é uma ação de protesto contra a “transferência de um vasto leque de competências para as Juntas de Freguesia”, que “coloca em risco muitos postos de trabalho” e a qualidade do serviço prestado, frisa o representante do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa.

PARTILHAR

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas (SITE/CSRA) e o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) entregaram esta semana um pré aviso de greve correspondente a uma paralisação que terá início às 00h00 do dia 11 de junho até às 08h00 do dia 12 de junho e das 16h00 do dia 14 de junho às 24h00 do dia 15 de junho de 2013.  

"Hoje entregámos o pré-aviso de greve para o período entre 10 e 16 de junho. Nesta semana haverá greve ao trabalho extraordinário e à recolha de lixo”, esclareceu o representante do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), Vítor Reis, à agência Lusa.

"No dia 14, a greve é extensível a todos os trabalhadores do Município de Lisboa, excluindo o Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB)", acresentou.

O facto de a paralisação coincidir com as festas populares e o dia de Santo António de Lisboa "não é coincidência", conforme admitiu o dirigente sindical. "É um período em que a atividade cultural na cidade de Lisboa é grande e, por isso, o impacto da greve será ainda maior", frisou.

Os motivos que levaram os trabalhadores a avançar para esta ação de luta prendem-se com a aprovação da “Lei nº. 56/2012, ‘cozinhada’ entre o PS e PSD da cidade de Lisboa e aprovada pelos mesmos partidos na Assembleia da República, que prevê a transferência de um vasto leque de competências para as Juntas de Freguesia, missões que até hoje têm estado sob a responsabilidade da Câmara Municipal”, conforme adianta o STML num comunicado divulgado a 17 de maio.

No documento é ainda avançado que “várias atividades que hoje são desempenhadas pelos trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa, serão distribuídas pelas 24 freguesias que resultam da reorganização da cidade contempladas na mesma lei”.

“É por estas razões e muitas mais, que os trabalhadores da CML vão entrar em greve de 10 a 16 de Junho. De forma parcial, alternada e depois geral no dia 14, lutamos contra a extinção de milhares de postos de trabalho, a aplicação, mais ou menos disfarçada, da mobilidade especial e/ou geográfica, contra a redução de direitos e massa remuneratória, em defesa dos serviços municipais e do investimento essencial que permita um serviço público de qualidade perante a cidade e a população de Lisboa”, avança o STML.

Segundo Vítor Reis, “a transferência de meios financeiros, humanos e patrimoniais” da autarquia de Lisboa para as freguesias “não é nenhuma vantagem para a cidade, nem para os munícipes”, e “coloca em risco muitos postos de trabalho”.

“As juntas não estão dotadas de meios para assegurar os serviços actualmente sob alçada da CML e, se houver alguma catástrofe natural, vai ser cada uma a tratar de si. Além de encarecer os serviços, como os contratos são de dois anos, nada nos garante que as freguesias no final desse prazo não contratem empresas privadas, e não sabemos o que poderá acontecer aos trabalhadores”, sublinhou o dirigente sindical.

Na prática, e tendo em conta que estes serviços não são assegurados aos domingos e feriados, a cidade poderá ficar toda a semana de 10 a 16 sem serviços de limpeza urbana, incluindo a recolha de lixo.

File attachments