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Greve Climática Estudantil: “Não aceitamos mais promessas vazias”

Esta sexta-feira, jovens ativistas voltaram a sair à rua em resposta ao apelo internacional do movimento #FridaysForFuture. Exigem uma “transição para uma sociedade ecológica e socialmente justa” e alertam que “a crise climática vai exacerbar todas as crises que vivemos caso não seja travada a tempo”.
Foto Esquerda.net

Faro, Lisboa, Aveiro, Montijo e Mafra foram palco de iniciativas presenciais. Noutras localidades como Alcácer do Sal, Caldas da Rainha, Coimbra, Bragança, Entroncamento, Évora, Guimarães, Lamego, Odemira, Pico, Porto, Setúbal e Viseu foram organizados eventos online.

Ao som de palavras de ordem como “Salvando fósseis, bancos também, assim não vai ficar tudo bem”, “Tic Tac, q’horas são? É hora da ação”, “O bem que não fazia investir na ferrovia”, “O povo para cima, empregos para o clima”, ou “Alarme, alarme, alarme social, não vamos mais salvar o capital”, jovens ativistas marcharam pelas ruas de Lisboa. A concentração estava marcada para as 16h30 na Praça José Fontana. A iniciativa terminou no Martim Moniz, com música, debates e outras atividades.

Bianca Castro, uma das organizadoras da Greve Climática Estudantil, explicou ao Esquerda.net que esta greve climática surgiu na sequência do apelo internacional do movimento Fridays For Future.

“É um regresso à ação (…), internacionalmente, estamos a dizer que basta de promessas vazias”, realçou a jovem ativista. Bianca Castro defendeu que “tudo o que os governos e as instituições têm feito até agora é insuficiente”.

“Não estão a saber combater a crise climática e continuamos a ver que a prioridade é o lucro e não as pessoas, como precisamos que seja”, acrescentou.

A ambientalista lembrou que temos “menos de sete anos até se esgotar o nosso orçamento de carbono, até não conseguirmos limitar o aquecimento global em 1,5 graus celsius, que é o que a ciência nos diz que tem de ser feito”.

Acresce que, “ao mesmo tempo, sabemos que estamos a enfrentar várias crises, não só a climática mas também uma crise pandémica, económica, social, cultural, migratória”, e que a crise climática “irá exacerbar todas elas caso não seja travada a tempo”, alertou.

“Sabemos que a transição justa de que precisamos para travar a crise climática irá ajudar a travar todas as outras crises”, continuou.

De acordo com Bianca Castro, “justiça climática é, inerentemente, justiça social” e, portanto, “aquilo por que estamos a lutar é não só um futuro mas também um presente digno para todas as pessoas”.

“Não queremos ver o governo português a ser um travão às políticas climáticas”

Nelson Peralta esteve presente na iniciativa em Lisboa e reforçou a solidariedade do Bloco com a Greve Climática Estudantil e “com todos os jovens que, em todo o planeta, têm saído à rua pela exigência de uma ambição climática e de resolução da crise climática”.

O deputado do Bloco destacou que estamos a viver “um momento muito significativo politicamente no país e na Europa”.

“No país estamos a acabar a Lei de Bases do Clima e, a nível europeu, está também a ser concluída a Lei Europeia do Clima, onde o governo português, em virtude da presidência do Conselho da União Europeia, está a liderar as negociações”, explicou.

“E as notícias que temos são más. O governo português está a usar esse papel de liderança nas negociações para tentar baixar, puxar para baixo, a ambição climática que veio já do Parlamento Europeu”, continuou.

O Bloco quer que haja uma solução para o problema e não quer “ver o governo português, em Portugal ou na Europa, a ser um travão às políticas climáticas”.

“Precisamos de justiça social e de justiça climática”, defendeu Nelson Peralta. O deputado lembrou que o “que criou a crise climática foi esta economia que cria desigualdade social ao mesmo que tempo que cria os problemas ambientais”.

“Queremos uma solução que desata os nós do problema da crise climática e que desata também os nós da desigualdade social do planeta”, rematou.

 

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